21.jpg
Carnavais Rosas de Ouro

Carnavais Rosas de Ouro (44)

Segunda, 27 Julho 2015 11:18

2016 - Arte à flor da pele. A minha história vai marcar você!

Escrito por Redação SPcarnaval

Rosas2016LOGOAutor: André Cezari

INTRODUÇÃO

Memória da pele! Tatuagem, obra de arte viva, e atemporal tanto quanto a vida. Traçado delineado outrora pelos dentes animais, pelas lascas e pontas das pedras que marcaram os nômades, Neandertais.

Na África distante berço da humanidade, o homem e seus rituais, lavam a alma com sangue das veias ancestrais, escarificam o corpo, entronizam suas divindades naturais. Desenhos e linhas que consagram o ser e diferenciam os tribais.

Criando suas cicatrizes sobre a pele e nela os reflexos dos pigmentos demonstram orgulho, força, proteção, amuleto, amor, transe espiritual, devoção, vaidade, sexo. Sob o corpo as marcas sedutoras, refletem no olhar do outro sua mensagem sem som e sem palavras!

Marcas que transpassaram o véu da eternidade e tinha um papel social, religioso, místico... Ritos de passagens. Designa um amor absoluto, geralmente infinito, que não se enquadra nas limitações do tempo.

Onipresente, floresceu em todos os continentes, do norte, ao sul, leste e oeste, esboçando a vida de povos antigos, cravados na derme!

Historicamente a tatuagem revela hábitos e costumes que constroem o saber do homem sobre si mesmo e sobre o outro, produzindo sentido de identificação, estilos diversificados, "identidade da pele". Objeto de contemplação!

Em sua trajetória também foi marca do medo, de infâmia, criminalidade... Preconceito! Mesmo com a intolerância da sociedade humana, ela sobreviveu!

O homem. Dos nativos, aborígenes ao moderno, através da inserção de pigmentos sob a pele ou pela criação de cicatrizes, escreve seu próprio testamento.

Hoje se desenha arte. O maior órgão do corpo humano é a tela do artista, que nela imortaliza sua obra-prima, seu talento divinal!

No Carnaval 2016, a Sociedade Rosas de Ouro mostrará seus pigmentos, suas marcas encravadas na pele de seus componentes, artistas da folia que vislumbram há 44 anos a TATUAGEM delineada, traçada em seus corações pelo eterno Presidente Eduardo Basílio com a sua emblemática frase: "Serás eterna como o tempo e reflorescerás a cada Carnaval.

Uma linda homenagem, em "flashes" e estêncil, agulhas e tintas. Cores, brilho, canto, encanto e a magia do maior espetáculo a céu aberto da Terra.

SINOPSE

Um tema tão vasto, com inicio há mais de cinco mil anos, precisa muito mais que algumas linhas para ser vislumbrado. O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto à humanidade.

Em séculos de existência, marcas criadas ou conquistadas evoluíram como o próprio homem. Exposta como insígnia, a Tatuagem venceu feras com bravura (caça e defesa - idade da pedra), esculpiu corpos (escarificações), consagrou rituais (nativos - aborígenes- tribos), lutou em batalhas e virou troféu. Desbravou os mares, e migrou com navegantes entre as antigas civilizações. Do Egito ao Japão se desenvolveu em estilos e técnicas permanentes ou não.

Mas nem sempre, Tatuagem e religião conviveram em paz, diferentemente da postura dos primitivos, máquinas de repetir tradição, as civilizações ocidentais eram volúveis diante do corpo, o mesmo povo que condenava a marca a ser instrumento de prisão perpétua no rosto de seus escravos, os imitavam sem medidas, a ponto tal que foi preciso a intervenção da igreja mais de uma vez. Perseguida, a Tatuagem foi proibida no ano 787 d.C., pelo Papa Adriano I. Hiato que durou 982 anos, até que rostos Maoris delineados em traços finos surgem na Europa, levados pelo capitão James Cook, que ao aportar na Nova Zelândia, redescobriu a prática. James Cook é o pai do termo Tattoo. (Termo originário do som da batida do ancinho tatau, instrumento usado para desenhar na pele).

A Tattoo se espalhou com a velocidade da luz, deixando dentes, pontas, e o tatau "para trás" e a energia elétrica seduziu. Forjada em metal surge a Máquina de Tatuar em 1891 - O Tatuógrafo - reproduzida a partir da invenção de Tomas Edison, foi o imigrante irlandês, Samuel O’Reilly tatuador estabelecido em Nova York quem mudou o curso da Tattoo-trajetória, entre inspirações e adaptações, capta a intenção original da invenção, e usa as engrenagens para a nova geração. Com eletricidade, agulha e tinta, tatuadores crivam a derme e concluem a arte com rapidez e perfeição.

As peles camufladas viraram atração em espetáculos circenses. Com o passar do tempo picadeiros europeus mostravam inusitados, arrepiantes e bizarros homens e mulheres que se expunham, deixando o respeitável público em êxtase, no circo das ilusões.

Entre traços e pigmentos a Tatuagem percorreu cartas náuticas, embarcou com marujos e seus cachimbos entre os dentes! Viagens fantásticas por todos os povos do mundo, até guerras retratou!

A jornada marítima continua. Nos portos, braços dos valentes homens do mar, tatuados com ancoras, sereias, tridentes, carpas, flores, andorinhas, também a saudade eloquente, exibida na pele em forma de corações flechados, nomes apaixonados, enfim, todo corpo era marcado. Em cada pele um festival de traços e cores. Idolatrada entre minorias, periferias e artistas com autonomia. O marinheiro Lucky chega ao Brasil em 1959!

E neste solo fértil, onde floresce a roseira e canta o sabiá, Lucky Tattoo fixou seu olhar dinamarquês. Socializou sua arte na margem do cais transformando em profissão o que desenvolveu durante suas navegações, encontrou suas primeiras telas brasileiras entre as mulheres de vida fácil, e na malemolência dos malandros, nos guetos, nos becos e nas vielas de Santos.

Fez fama, virou mestre! Com a arte ocupou seu lugar na sociedade, status que o levou a tatuar pessoas de todo Brasil. Paralelo ao Flower Power na década de 60, Lucky usou também os símbolos do Movimento Hippie na psicodélica tribo da paz e amor. Sua arte despertou a atenção dos cariocas que disputaram seu traço, que tatuou o dragão no braço do (José Artur Machado, o Petit,) Menino do Rio. Mistura de sotaques e tintas nos corpos já tatuados/dourados pelo astro-Rei (sol) que também penetra a pele e faz brotar o pigmento natural.

O crescimento da tatuagem moderna integrou festivais de musica internacionais e
nacionais, ganhou as ruas e se transformou em galerias vivas de arte permanente. Lucky Tattoo é o rei da Tatuagem no Brasil!

E há cinco milênios depois, as tatuagens se modificaram muito, mas não saíram de cena. Nos jovens dos anos 70, era um dos meios de expressar rebeldia social, o sentido estigmatizador do uso da tatuagem começa a mudar a partir do final dos anos 80, quando se tornou até brincadeira de criança, nas areias das praias, nas figurinhas de chiclete. A partir dos anos 90, a opção por se tatuar converteu-se em prática crescentemente visível, e forte característica das culturas jovens urbanas. Motoqueiros e suas caveiras e abutres tatuados, skatistas, surfistas, skinheads, aventureiros e artistas da musica desde Woodstock, do Heave Metal, do Rock in Rio, e do Pop, do Punk, e do Rap. Este último, utiliza o grafite e o Tattoo, aliados ao talento musical nas denúncias sociais, e na deflagração das condições carcerárias, prisionais.

Entre às grades e incautos, a flor nasce. Em cadeias e casas de detenção, códigos, dialetos, separação, ritualização, conversão e saudade! Buscando com criatividade executar a arte, detentos e seus apetrechos mostram seus símbolos. O cinema e Televisão exibiram a atuação da "flor do presídio" em títulos diversos, como exemplo, o filme Carandiru.

O estigma associado às tatuagens diminuiu, o mundo se abriu! A indústria cresceu
exponencialmente, e o mercado continuou a florescer. Apontada como obra de arte a pele!

A Tatuagem virou o jogo, continuou a inspirar e também no esporte venceu a partida. Disseminada nos campos, nas quadras e nas torcidas.

A sociedade aderiu e aceitou sua evolução. Tratada como identidade, conectada
virou expressão, chegou às feiras e convenções, liderando o discurso da autenticidade, personalidade e superação. Reconhecida em todas as peles, sem distinção. Hoje a marca esta encravada também nas pessoas tradicionais, famílias normais onde mães e pais, trazem no corpo a lembrança de seus filhos, eternizando os laços na memória da pele.

Presente no Rap, Pop e no Rock, no Samba não foi diferente. Virou marca de gente bamba, que não passa a vida em branco, tinge com as cores do seu manto, o corpo, a pele, o símbolo do seu pavilhão.

Como agulhas, os saltos finos das passistas tatuam a passarela. Os tatuadores são: A Presidente, sua Diretoria, seus artistas, cantores, compositores, ritmistas, baianas, velha-guarda...Sambistas! E o Carnavalesco. A Comunidade é a Máquina. A Pele é o Samba, que arrepia! O Estêncil é o Figurino. O Enredo são os Flashes. O Pigmento são as Cores da Agremiação. O sentimento é o Pavilhão desfraldado pelos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que riscam o chão de poesia e espalham o perfume da nossa Roseira.

No Carnaval 2016, a Sociedade Rosas de Ouro mostrará seus pigmentos, suas pétalas e marcas encravadas na pele de seus componentes, artistas da folia que vislumbram com alegrias as profecias de seu eterno Presidente Eduardo Basílio, que há 44 anos tatuou em seus corações a frase que reescrevemos com amor e respeito a quem plantou está semente, e gerou rosas do metal mais precioso, Rosas de Ouro:

"Serás eterna como o tempo, assim como a tatuagem que a partir de agora
reflorescerá a cada Carnaval".

Quarta, 01 Janeiro 2014 11:55

2014 - Inesquecível

Escrito por

ABERTURA: “O Milagre da Vida”

No grande ciclo da vida há sempre um começo, um meio e um fim.

Ao olhar para a trajetória percorrida, ponho-me a pensar sobre tudo o que vivi, o que aprendi, o que conquistei, o que senti, o que me marcou e quais foram os momentos inesquecíveis em minha história.

O princípio de tudo está no primeiro grande presente que ganhei, um Presente Divino: O Dom da Vida.

Para anunciar a minha chegada e para me proteger nesta jornada, o Criador me deu anjos. Eles comigo estarão por toda a vida, mas um deles terá um papel ainda mais especial: o papel de minha mãe.

Caminhemos juntos neste túnel do tempo, para reviver os momentos inesquecíveis.

Sob as bênçãos do Criador o “milagre da vida” vai acontecer no ventre desta mulher. Criados à imagem e semelhança de Deus, iniciaremos nossa jornada experimentando e sentindo a vida com nossos cinco sentidos, guardando os momentos inesquecíveis em nossa memória e em nossos corações.

A primeira coisa que lembro, são as pessoas sorrindo pra mim, comemorando minha chegada.

PRIMEIRO SETOR (Infância) “Tempo da Inocência”

Eu tinha sede de viver. Nem dormir eu queria!

Não me deixavam fazer tudo. Eu lembro que quando ficava muito contrariado, chorava bem alto, e as únicas coisas capazes de acalmar minha frustração eram os meus pertences inseparáveis: a chupeta e um paninho que eu arrastava por onde fosse.

Viver era brincar… E por isso fiz de meus brinquedos meus fiéis companheiros.

Eu só os deixava meio de lado quando resolvia explorar novos lugares. Ah! Esta minha sede de explorador, me colocou em grandes enrascadas!

A única coisa capaz de me deter era aquele ser assustador, um ser que na verdade eu nunca vi, mas que minha mãe dizia estar ali por perto para pegar crianças desobedientes… O Bicho Papão.

Havia tantas coisas para eu conhecer que se não fossem aqueles jogos de memória, acho que não teria dado conta.

O dia mais inesquecível nesta fase de minha vida, foi meu primeiro dia de aula, quando minha mãe me levou pelo braço para um lugar diferente, com pessoas e crianças que eu não conhecia… E lá me deixou.

Lembro-me que chorei. No começo eu não curti a ideia, mas pouco a pouco me acostumei e foi lá que, ao aprender a ler e escrever, pude me debruçar sobre o caderno e sobre livros que me apresentaram histórias e personagens do mundo da imaginação, que tanto me ensinaram e que jamais esqueci.

SEGUNDO SETOR (Juventude) “Em busca da Liberdade”

De repente uma explosão de energia aconteceu. Eu não me sentia mais uma criança. Foi exatamente neste tempo que comecei a me tornar um tanto rebelde, incorporei uma atitude mais “rock’n rool”, encontrei a minha turma e uma nova forma de ser e de viver.

Minha mãe podia gritar meu nome, a casa podia pegar fogo, o mundo poderia acabar, mas nada seria capaz de me fazer parar de jogar meu vídeo game bem no meio de uma fase.

Lembro-me como se fosse hoje o dia em que dei meu primeiro beijo. Meu coração parecia que ia sair pela boca!

Adquiri um gosto estranho por fortes emoções, especialmente por sentir medo, adorava ir no trem fantasma e nas Noites do Terror dos parques de diversões, ao mesmo tempo que sentia muito medo, me divertia assustando meus amigos.

Alguns momentos nesta fase de minha vida se tornaram marcos: os incríveis bailes de debutantes e, sem dúvida nenhuma, o meu primeiro amor.

TERCEIRO SETOR (Maturidade) “Tempo de Conquistas”

Finalmente me tornei um adulto e a primeira coisa a fazer foi me tornar um cidadão com identidade (RG, CPF , Carteira de Trabalho)! Porém, o que eu queria mesmo tirar era minha CARTEIRA DE MOTORISTA , para colocar as mãos no volante e sair pelas ruas tirando onda.

Por tanto tempo eu desejei ser grande, ser adulto… Justamente para poder fazer o que quisesse e não precisar mais dar satisfações e explicações a ninguém. Este dia chegou, mas logo descobri que a coisa não era bem assim… Junto com a liberdade, vieram as responsabilidades.

Conscientizei-me que somos todos responsáveis pela preservação da vida neste planeta. Foi assim que fui para as ruas protestar e lutar por justiça e pela preservação da natureza. Afinal, juntos somos mais fortes.

Depois de tanto estudar, finalmente chegou o dia da minha formatura, eu e meus pais ficamos muito emocionados, especialmente quando chamaram meu nome, afinal, de alguma forma, aquela era uma conquista de todos nós.

Mesmo que eu não tivesse a exata ideia do passo que estava dando, um dos momentos mais inesquecíveis que vivi foi quando finalmente eu disse: “Sim eu aceito!”. (casamento)

Casar e formar uma família me fez amadurecer. Ao me tornar um adulto, olhei mais para o mundo ao meu redor, interessei-me bem mais pelas notícias, porque percebi que, de alguma forma, tudo o que acontecia em qualquer lugar do planeta acabaria nos afetando de uma forma ou de outra.

Tornei-me um sentimental… Que, muitas vezes, chorou com as vitórias do meu time e com as conquistas dos atletas brasileiros ao subirem no lugar mais alto do pódio, fazendo ecoar nosso hino, tremular nossa bandeira, e crescer meu orgulho de ser brasileiro.

QUARTO SETOR: (Melhor Idade) “Tempo de Lembranças”

Depois de ter percorrido um longo caminho, ponho-me a lembrar de músicas que embalaram meus momentos marcantes, de filmes que me fizeram sonhar, de novelas que me deixaram grudado da frente da tv, e dos cheiros e sabores daquelas gostosuras que me fartei de comer na casa de minha avó.

Mas, sem dúvida nenhuma, as lembranças que mais emocionam são daquelas pessoas únicas, que já partiram para uma nova “Viagem”, pessoas que souberam fazer, de pequenos instantes, grandes momentos, e que deixaram para sempre seus nomes escritos na história.

Como canta nosso Rei:

“Das lembranças que eu trago na vida, você é a saudade que eu gosto de ter, só assim, sinto você bem perto de mim outra vez”
( Roberto Carlos)

Hoje, no palco do maior espetáculo da terra, a Sociedade Rosas de Ouro, que também já marcou seu nome na história e em meu coração com tantos momentos inesquecíveis no Carnaval Paulistano , quer te fazer um convite:

Vem viajar com a gente. Queremos saber o que te marcou! Vamos juntos fazer mais um carnaval INESQUECÍVEL O que foi inesquecível pra você?

APRESENTAÇÃO

 

Vamos fazer uma viagem fantástica aos Reinos da Folia.
Magicamente vamos atravessar terra, céu e mar, para conhecer algumas das mais incríveis festas populares do mundo.
As festas populares são a expressão da cultura e da tradição dos povos, porque não só de aspectos físicos se constitui a cultura de um povo, há muito mais contido nas tradições, no folclore, nos saberes, nas línguas e nas festas também. Estas celebrações fortalecem os laços sociais e as raízes, aproximam os homens, resgatam lembranças e emoções.
A Unesco ( Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura ) dá a essa porção intangível da herança cultural dos povos, o nome de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O Patrimônio Cultural de um povo é fonte insubstituível de vida e inspiração, é o ponto de referência que determina sua identidade.
Manter vivas estas festas, estas manifestações tradicionais, é fazer com que o legado do passado chegue ao futuro, e no Carnaval 2013, na maior festa popular do mundo, a Sociedade Rosas de Ouro vem apresentar um pouco da herança cultural dos povos com o enredo:

 

“OS CONDUTORES DA ALEGRIA"

 

numa fantástica viagem aos Reinos da Folia.

 

Você deve estar se perguntando: Mas quem são os Condutores da Alegria?
Somos eu, você e todos os apaixonados pelo carnaval! São nossa comissão de frente, nossas baianas a girar, são nosso mestre-sala e sua porta bandeira, são os batuqueiros da bateria, são nossos destaques, são os harmonias, são os artistas do nosso barracão, são nossas costureiras, são nossos compositores, são nossos apaixonados componentes, são todos os que trabalham e que se dedicam de coração para dar um show e brilhar na maior festa popular do mundo: o Carnaval !
Visitaremos inúmeras festas e veremos que cada uma delas é única e singular; mas, o que não falta em nenhuma delas são: a música, as cores e a alegria.
A viagem vai começar! Os condutores da alegria vão botar o pé na estrada.

 

SINOPSE DO ENREDO

 

ABERTURA: A viagem vai começar

 

Dos cinco continentes chegam os Embaixadores das Folias Continentais anunciando que a festa vai começar.

 

Os Condutores da Alegria vão transportar a cultura dos povos para o palco desta festa, fazendo uma fantástica viagem aos Reinos da Folia.

 

Magicamente vamos atravessar terra, céu e mar, para conhecer e nos divertir em algumas das mais incríveis festas populares do mundo.

 

Chegamos ao nosso primeiro destino. Estamos no Havaí, no Aloha Festival ( Oceania ), onde lindas mulheres nos dão as boas vindas com seus colares de flores.

 

Faremos uma parada na terra dos tambores tribais, para render homenagens à terra onde surgiram as primeiras festas da humanidade e para conhecer a Festa dos Guerreiros Zulu, na África do Sul.

 

PRIMEIRO SETOR: As festas de um Velho Continente

 

Eis que estamos na Europa e os fogos de artifício anunciam que chegamos às Fallas de Valência na Espanha, onde arde o fogo das paixões.

 

Uma laranja atinge nossa cabeça. Quem nunca atirou laranjas? Eu não! Mas, o Guille atira muitas, afinal, diz a tradição que ser atingido por uma laranja traz boa sorte. O Guille é o personagem principal do Carnaval de Binche na Bélgica.

 

Chegou a hora de render homenagens à realeza, num dos desfiles de maior pompa e esplendor do mundo: a Trooping the Colour, na Inglaterra. Pelas ruas de Londres vê-se a relação de encantamento e orgulho que os ingleses tem por sua realeza.

 

Vibram as cores ao som de uma incrível fanfarra que nos apresenta uma terra de um povo alegre que adora uma cerveja e que hoje está nas ruas fazendo uma festa tão bonita, alegre e grandiosa quanto sua nação: o Carnaval de Colônia, na Alemanha.

 

Parece que voltamos no tempo! Há um clima de mistério e sedução no esplendoroso Carnaval de Veneza, onde os nobres se misturavam ao povo disfarçados com seus trajes e máscaras.

 

Chegamos à Irlanda, é St Patricks Day, momento de celebrar em verde o orgulho nacional.

 

SEGUNDO SETOR: Nas Folias do Oriente

 

Saltamos para o oriente, onde um povo festeja suas tradições milenares.

 

Estamos no Japão, num dos incríveis Matsuris, o Gion Matsuri momento de comemorar e celebrar a história e as tradições da cultura Japonesa.

 

Não importa quão duros e ruins tenham sido os tempos, sobreviver é uma benção que deve ser sempre comemorada. Este é o espírito do festival de sorrisos, o Maskara Festival nas Filipinas.

 

O brilho da luz das velas se faz presente! Estamos no Candle Festival na Tailândia, tempo de iluminar os caminhos.

 

É tempo de planejar o amanhã! O vermelho e dourado inundam as ruas, as pessoas estão felizes e o Dragão traz a força para a humanidade na comemoração do Ano Novo na China.

 

TERCEIRO SETOR: A Alegria das Américas

 

Pé na tábua! Vamos do Oriente ao Ocidente! Muitas festas nos esperam neste alegre continente!

 

Soa alto o som alucinante dos sopros das bandas tocando Jazz e R&B, no Mardi Gras em New Orleans ( USA), um carnaval animado que lota as ruas da cidade com pessoas mascaradas e lindas mulheres cheias de colares de contas.

 

As ruas se enchem de diabinhos coloridos e engraçados, e nós ficamos endiablados, numa das festas mais animadas que acontece no Peru, a Diablada, encarando de frente o mal, transformando-o em alegoria.

 

Impossível é ficar parado quando o ritmo quente soa, no Junkanoo das Bahamas.
É hora de dançar neste grande palco onde se expande esse modo de ser Caribe.

 

Mas, o que serão todas estas caveiras engraçadas?
É a celebração do Dia do Mortos, no México! Um dia especial para transformar a tristeza em
alegria.

 

QUARTO SETOR: Brasil, o grande Reino da Folia

 

Estamos de volta ao Brasil, a terra da alegria, a terra das festas!

 

Toca o fole o sanfoneiro nas alegres festas em homenagem a Santo António, São Pedro e São

 

João que acontecem por todos os cantos deste país de proporções continentais.

 

Chegou a hora de garantir a alegria com o Boi Garantido, e, caprichar na folia com o Boi Caprichoso na Festa do Boi Bumbá de Parintins, na Amazônia

 

Uma noite de paz e harmonia enche de luz nossos corações, no Natal Luz de Gramado no Rio Grande do Sul.

 

Vou vestir a fantasia, e, meu samba enredo no asfalto cantar, nos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e de São Paulo.

 

Terminaremos nossa viagem exaltando o povo desta terra que leva aos quatro cantos do mundo a sua arte, sua cultura e seu folclore, colorindo a vida com as Festas Brasileiras.

 

Nesta louca e alucinante viagem pudemos perceber que o motor que move as festas, não é o dinheiro, nem é o poder... é o amor!
O amor por sua cultura, por sua terra, por suas crenças, por suas agremiações, pela vida!
É o amor por nosso pavilhão que faz o encantamento e a magia acontecer.

 

Carnavalesco: Jorge Freitas

 

Pesquisa e Desenvolvimento de Enredo: Murilo Lobo

 

Produção artística: Darlan Alves

Quinta, 01 Janeiro 2009 11:55

2009 - Bem-vindos à fábrica dos sonhos

Escrito por
Terça, 01 Janeiro 2008 11:55

2008 - ROSAESSÊNCIA, O ETERNO AROMA

Escrito por

Em uma área de terra, preparam-se, silenciosamente, misteriosamente, filtros e aromas; o perfume expande-se através dos cálices das flores, e o homem, desde a Antigüidade, tem procurado colher-lhes a íntima essência para conservá-la longamente, e, com o tempo, transformou isso em uma arte requintada e preciosa.

É anunciado o início do mundo!

Os guardiões da essência sagrada, liberam um magnífico odor sobre a terra obedecendo às leis do criador, que, misturada aos odores vulcânicos, fazem surgir de forma harmoniosa, uma verdadeira dança aromática.

Logo depois, o homem já se faz presente sobre a Terra e, circundado por flores e pelos seus aromas, sente nascer em si a ânsia de captar e aprisionar os perfumes da natureza.

A rosa, pela sua essência e beleza, é apreciada e cultivada desde os tempos mais remotos para ilustrar a arte do perfume e expressar o mais belo dos sentimentos humanos: o amor.

Mais tarde, o homem primitivo aprendeu a fazer o fogo e descobriu que certas plantas desprendiam fragrâncias agradáveis quando eram queimadas. Passaram, pois a oferecê-las aos deuses como forma de agradecimento, então, graças ao progresso realizado mediante a utilização do fogo, diversos povos da Antiguidade adquiriam a capacidade de tratar, como extrair deles as oleosas essências perfumadas.

Nascido no Egito como oferenda para os deuses, o perfume era considerado o néctar dos deuses e, com ele, a alma dos mortos podia ser tocada. Os perfumes transpuseram os limites dos templos e das pirâmides e se transformaram em um acessório apreciado pelos ricos mortais.

Considerado uma espécie de intermediário entre os homens e os deuses, o perfume teve uma grande importância em diversas civilizações da Antigüidade, exercendo uma enorme fascinação dos homens a ponto de que cada divindade tivesse o seu perfume.

Os povos semitas que migraram para o Egito produziram uma literatura importante contida, sobretudo, na Bíblia Sagrada reunindo um maravilhoso registro sobre a relevância do perfume no Antigo Oriente.

A história do perfume remonta há três mil anos e as lendas que envolvem sua criação vão mais longe ainda. Foi na Índia e na Arábia que surgiram os primeiros mestres da perfumaria. Ali já havia sido criada a água de colônia, obtida pela maceração de pétalas de rosas.

Os árabes não só compreendiam e apreciavam os prazeres dos perfumes, mas também tinham conhecimentos avançados de higiene e medicina.

As fragrâncias percorreram um longo e surpreendente caminho dos magos da Antigüidade aos alquimistas da Idade Média.

Na Idade Média, os cruzados conseguiam no Oriente os óleos perfumados, onde, mais tarde, os nobres e ricos de toda a Europa começariam a utilizá-lo despertando uma grande fascinação.

O perfume é relacionado a diversas coisas do mundo, é um impulso mágico do homem.

A perfumaria é uma arte alquímica, que dá total liberdade à imaginação.

Os aromas sensuais, juntamente às novas especiarias desconhecidas no Ocidente, encheram as lojas dos mercadores das cidades marítimas. Mais tarde o perfume ganha novos usos, como o terapêutico, por exemplo.

O esplendor da perfumaria florescia com a renascença. Foi então, na Europa, que o perfume desenvolveu e se popularizou. Mesmo feito ainda de forma artesanal, desempenhava sua forma social como parte dos luxos diários e necessários de toda mulher, encantando com suas doces fragrâncias e charmosos frascos, capazes de transformar os perfumes até os dias de hoje, em verdadeiros objetos de desejo.

Foi nessa época que Paris se tornou uma referência mundial em produção de fragrâncias e perfumes e fez com que os perfumes franceses conquistassem o mundo.

Embora tenha emergido na França, junto com o século XVIII, a indústria do perfume só chegou ao Brasil, junto com o século XX. O hábito de perfumar-se, veio com a Corte Portuguesa que chegou ao Brasil em 1808, fugindo dos exércitos de Napoleão. Coube a ela a tarefa de revelar ao Brasil pequenos luxos acondicionados em belos frascos, ao trazer em sua bagagem usos e costumes da metrópole.

Aos poucos uma personalidade inédita está se formando genuinamente brasileira, com valores próprios fincados em fundas raízes. Tem tudo para ser responsável pela próxima revolução da perfumaria mundial.

E assim o perfume da Rosas de Ouro é um pouco do céu que desce à terra e um pouco da terra que sobe ao céu.

...as pessoas podem fechar os olhos diante da grandeza, do assustador, da beleza, e podem tapar os ouvidos diante da melodia ou de palavras sedutoras. Mas não podem escapar ao aroma. Pois o aroma é um irmão da respiração. Com esta, ele penetra nas pessoas, ela não podem escapar-lhe caso queiram viver. E bem para dentro delas é que vai o aroma, diretamente para o coração, distinguido lá, categoricamente, entre atração e menosprezo, nojo e prazer, amor e ódio.

Quem dominasse os odores dominaria o coração das pessoas.

“... Há o poder de comunicação ao perfume que é mais forte de que palavras, de que olhar, sentimento e vontade”.

O poder de comunicação do aroma não pode ser descartado, entra dentro de nós como o ar em nossos pulmões nos ocupa completamente, não há antídoto contra ele.

Sair de casa sem borrifar a fragrância predileta, jamais!

ROSAESSÊNCIA

Não nos responsabilizamos pelos efeitos que nossas fragrâncias podem causar.

Carnavalesco - Jorge Marcos Freitas

Segunda, 01 Janeiro 2007 11:55

2007 - Tellus Matter - O cio da Terra

Escrito por

Desde os primórdios da civilização o homem usou os recursos naturais para subsistir .Ele percebeu que a chuva que caía do céu era o elemento que fecundava a terra. E em sua ingenuidade ele tentou explicar a origem da terra e o milagre da vida. E acreditou ser ela uma obra dos deuses, e a gênese diz que Deus criou os céus e a terra.

Mas a ciência afirma que o planeta se formou após uma explosão gigante, o Big Bang. . A força que ordenou o planeta há 4.600 milhões de anos, deixou em suas entranhas uma multiplicidade de poderes geradores, e a mãe terra, no cio, está pronta para o milagre da vida. Há 3.500 milhões de anos surgiram no mar os primeiros seres vivos, de formas muito primitivas que foram evoluindo lentamente, dando origem a estruturas cada vez mais complexas, até se chegar a todas as formas de vida hoje existentes. E a água será sempre o elemento fecundador, responsável pela fertilização da mãe-terra. E gerando todos os seres, ela vai alimentá-los, dar-lhes abrigo, e ser o seu repouso no fim da vida, recebendo deles novamente o germen fecundo.

O homem foi povoando e percorrendo a Terra, que acreditava inicialmente ser plana e cercada por um oceano intransponível. Transpôs o oceano e percebeu que a superfície do planeta é curva. Mais tarde Pitágoras concluiu que a Terra é uma esfera e Nicolau Copérnico afirmou que ela gira em torno do Sol. Mas o fato determinante para o conhecimento do planeta foi a epopéia das grandes navegações. Graças aos navegadores foi criado o mapa-mundi, e há poucas décadas o homem conseguiu preencher os espaços em branco nas cartas geográficas, onde permanecia incerta a descrição dos territórios.

No giro de duas gerações ele preencheu essas lacunas, e, voltou seus interesses para os abismos marinhos e os espaços celestes.

Conquistando o espaço, o homem pode finalmente contemplar a Terra de longe e admirar o seu planeta, belíssimo, envolto numa luz azul, velada por nuvens em movimento sobre as figuras nítidas dos continentes recortados por oceanos de bazalto.

Mas enquanto o homem admira a terra do espaço, nem tudo é azul no planeta azul: A Mãe Terra sofre com a deteriorização do ecossitema, com a extinção de espécies de animais, o esgotamento das fontes de energia acumuladas durante milhões de anos, a alarmante degradação dos rios pelas escórias industriais neles descarregadas, a contaminação dos lençóis de água pelos agrotóxicos, a fumaça causada pelas queimadas nos campos e pela motorização excessiva nos grandes centros urbanos, o desmatamento indiscriminado que privou o planeta de grande parte das florestas européias e norte- americanas, e que consome em ritmo acelerado a floresta amazônica, responsável por dois terços do oxigênio e garantia de vida no planeta. A destruição da camada de Ozônio aumenta a temperatura, o derretimento do gelo nas calotas polares ameaça as regiões litorâneas de serem tragadas pelo mar. Enquando algumas regiões sofrem com inundações, outras vivem o flagelo das secas.

A Mãe Terra sofre, e a nossa Terra Brasilis Hoje, os filhos de bons rostos dessa terra de bons ares estão cada vez mais sem a sua floresta. Hoje ela é a terra dos sem-terra, dos sem-teto e sem-nada. A Terra Pátria, envergonhada, chora de tristeza, de ver tantos filhos seus, órfãos da Terra Mátria.

E a Rosas de Ouro faz ouvir a sua voz, pra que a Mãe Terra continue a gerar vida, como tem sido desde o início dos tempos, e que todos os seus filhos e herdeiros tenham direito a um pedacinho do seu chão.

A África é o berço da humanidade. Ali nasceu o Homo sapiens, negro, há 200 mil anos. Sendo a África uma região quente, sua pele era escura devido a concentração de melanina , que serve de proteção da radiação solar. À medida que foi migrando para o norte, em direção às regiões frias da Europa, sua pele foi se tornando progressivamente mais clara, culminando nos povos nórdicos.

Na África o homem evoluiu, criou a agricultura e a civilização. Na antiguidade os núbios, os etíopes, os kuch e os nok tinham um avançado grau de desenvolvimento, e os egípcios atingiram o apogeu de sua civilização. Os conhecimentos da civilização africana, via Egito, chegaram aos babilônios, persas, gregos, romanos, contribuindo para a civilização da Europa.

Até o século XV a África seguia seu próprio desenvolvimento, com importantes estados constituídos, como o Império Songai, o Império de Gana, o Reino do Zimbábue, o Reino do Daomé, a civilização Achanti (refinada pela sua arte), a civilização Yorubá (composta de cidades-estado), e a civilização Ilê Ifé, entre outras. Algumas cidades como Gao, Tomboctu, Djennê e Benim, eram mais povoadas que Lisboa, Veneza e Londres, e possuíam universidades. As sociedades africanas eram constituídas de várias etnias, ricas, complexas, plurais. Possuíam estrutura relativamente estável, e os reinos africanos gozaram de relativa estabilidade até a chegada dos europeus, para quem vendiam ouro, marfim e sal.

Os portugueses são os primeiros a chegar à África pelo Oceano Atlântico, em busca das riquezas do continente. Além de ouro, sal e marfim, em 1441 eles levaram a Lisboa alguns africanos como escravos, mais “curiosidade” do que mão de obra.

Com o descobrimento da América por Cristóvão Colombo, os portugueses vão dividir com os espanhóis as terras do Novo Mundo. E para construir suas belas colônias nas Américas, explorar suas minas de ouro e de prata, decidem escravizar os ameríndios, que não se submetem ao trabalho forçado. Fracassada a tentativa de usar mão-de-obra indígena, eles vão se voltar para os negros da África, iniciando um tipo de escravidão inédita, baseada no subjugamento de seres humanos em razão da cor da pele.

A justificativa para a escravidão negra é a Bula “Romanus Pontifex”, de 1455. Nela, o Papa Nicolau V concede ao Rei de Portugal, D. Afonso V, livre e ampla licença para “invadir, perseguir, capturar, derrotar e submeter todos os sarracenos e quaisquer pagãos e outros inimigos de Cristo onde quer que estejam seus reinos”.

Usando o nome de Deus eles vão cometer esse grave crime contra a humanidade, fazendo crer que a escravidão era a única maneira de salvar do inferno a alma desses homens “sem alma”. A religião foi o suporte ideológico de uma barbárie de “civilizados”.

Inicialmente essa mercadoria humana era constituída principalmente de populações vencidas por soberanos locais. Estabelecendo com os chefes vitoriosos um comércio baseado no escambo, trocavam com eles tecidos de seda, jóias, tabaco e armas, por seus prisioneiros de guerra. Com a intensificação das exigências comerciais, os pequenos reis levam os brancos ao interior do continente, organizando verdadeiras caçadas, ataques repentinos às aldeias, à procura da “madeira de ébano”. Milhares de pessoas são capturadas e chegam ao litoral em longas filas, como bestas humanas, chicoteadas e presas ao pescoço por pesadas forquilhas de madeira. Ali é feito o leilão, com os belos e fortes sendo escolhidos e velhos ou doentes sendo sacrificados. O comprador examina com cuidado a boca de cada um. Para cada dente que falte, o valor é reduzido.

Antes de embarcarem, no ponto do não retorno, que não veriam nunca mais, eram marcados com a cruz em brasa para que passagem do estado de “selvageria” ao estado de “felicidade”. Foram separados pra sempre de suas famílias, para que apagassem da memória suas lembranças e sua identidade cultural. Estima-se que o tráfico custou a liberdade a trinta milhões de pessoas deportadas para as Américas, sem contar as que morreram no momento da captura, na triagem ou nos navios.

Durante quatro séculos, portugueses, espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, através do tráfico negreiro, vão esvaziar a África de seus homens mais robustos, das mulheres mais sãs, das moças e crianças mais belas. Perdendo suas forças vitais, o desenvolvimento demográfico do continente vai ficar paralisado por duzentos anos.

De todos os países americanos, o que mais importou escravos foi o Brasil. Estima-se que durante três séculos de tráfico intenso, o país vai receber entre quatro e seis milhões de pessoas. Como mercadorias eram transportados em navios negreiros, que chegavam a levar 600 africanos amontoados nos porões, acorrentados uns aos outros em condições sub-humanas. Durante a travessia, que durava dois meses, muitos morriam por doença, desnutrição, inanição, banzo (melancolia causada pela saudade da terra e de sua gente), ou desespero. Muitos eram jogados dos navios, outros se jogavam como resistência à escravidão, como se o mar os fosse devolver à África.

Na chegada ao Brasil, eram desembarcados como mercadoria, e substituídos por açúcar na viagem de volta.

Os primeiros desembarques aconteceram na Bahia, em 1548. Em seguida se estenderam a Pernambuco e Rio de Janeiro. Aqui novamente sofreram a humilhação da triagem, e após a venda eram marcados a ferro em brasa com a identificação do comprador.

Vão sofrer, além da violência física, a violência cultural, através da imposição do idioma português e da religião católica, em detrimento da cultura africana, das suas crenças religiosas e do seu modo de ser.

Aqui foram explorados nas lavouras e nos engenhos de cana-de-açúcar, e a qualquer manifestação de rebeldia eram amarrados ao tronco e sofriam todo tipo de tortura. Os fugitivos capturados tinham a orelha cortada e a letra F gravada na testa. Como reação a essa humilhação, aumentou o número de fugas, e a melhor forma de resistência foi a organização dos quilombos. O mais famoso, o de Palmares, recebeu tantos fugitivos que chegou a ter 30 mil habitantes. Sob o comando de Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares, vai resistir durante 64 anos.

Com a decadência da indústria açucareira no nordeste muitos escravos são deslocados para a extração de ouro em Minas Gerais. E em Ouro Preto a teoria de inferioridade intelectual dos negros vai cair por terra, através do primeiro gênio brasileiro, Aleijadinho.

Com o crescimento das economias urbanas, os escravos passam a ser utilizados em outras funções nas cidades, como a produção e venda de produtos artesanais, ou o transporte de cargas.

A miscigenação aumenta, nasce o sincretismo religioso através das Irmandades dos Homens Pretos e de terreiros de Candomblé e Umbanda. Os escravos enriquecem o idioma português e fecundam a cultura brasileira com seus temperos, ritmos e danças, com a percussão de seus tambores, criando aqui os vistosos maracatus, as congadas, o jongo, a capoeira, o frevo e o samba.

Durante três séculos produziram as riquezas do país nos canaviais, nos garimpos e nas lavouras de café, condenados a viver na pobreza. Nessa vida de sofrimento e resistência, eles conservaram a integridade de sua condição humana, sonhando com o fim da escravidão.

Com o crescimento do movimento abolicionista e a pressão internacional, o Brasil será o último país a libertar seus escravos, em 1888. Mas após a assinatura da Lei Áurea pode-se dizer que acabou a escravidão?

Ela deixou uma marca tão profunda de preconceito racial, que impediu a elevação dos negros a uma condição de igualdade na sociedade brasileira. Eles continuaram escravos da relação de inferioridade econômica em relação ao homem branco, e do descaso histórico pela cultura afro-brasileira. A prática da Capoeira seria crime previsto no Código Penal até 1937, quando é liberada. E as tradições afro-brasileiras continuam vistas como cultura inferior, “coisa de preto”.

Hoje a Constituição Brasileira assegura a igualdade de direitos a seus cidadãos, sem preconceito de raça, opção religiosa, sexo ou cor. Mas a igualdade perante a lei não assegura aos afro-descendentes condições dignas de vida.

O Governo Brasileiro tenta resgatar essa dívida social, através do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, e a criação de cotas nas universidades para estudantes afro-descendentes. Mas um trabalhador negro com formação universitária ainda recebe salário menor que um trabalhador branco exercendo a mesma função.

Hoje 45% da população brasileira é afro-descendente. Muitos tiveram ancestrais reis e rainhas, mas por causa da melanina, hoje são apenas reis da ralé, da favela, da fome, da marginalidade, do trabalho pesado, da cozinha, do salário mínimo, do desemprego.

O mundo reconheceu a escravidão e o tráfico negreiro como um crime contra a humanidade, o Papa João Paulo II reconheceu a responsabilidade da Igreja nesse lamentável episódio da história da civilização, e o Presidente Lula, em comovente viagem à África, pede perdão pela escravidão no Brasil.

Mas não cabe apenas ao governo reconhecer essa dívida social. Cabe a nós, cidadãos brasileiros, em respeito à origem comum da raça humana e à nobreza do leite da mãe negra que amamentou nossos antepassados brancos, restaurar os direitos dos afro-descendentes, fazendo com que eles possam andar de cabeça erguida como nossos irmãos, através da promoção da igualdade racial.

Sábado, 01 Janeiro 2005 11:55

2005 - Mar de Rosas

Escrito por
Página 1 de 4

Área Restrita

Apoio

© 2016 SPcarnaval.com.br- spcarnaval@spcarnaval.com.br - Todos os Direitos Reservados