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Mocidade Alegre

Mocidade Alegre

Embora a fundação oficial da Mocidade Alegre tenha sido em 24 de setembro de 1967, sua história começa quase 20 anos antes. São seis décadas marcadas principalmente pelos fortes laços familiares entre seus integrantes e pelo reconhecimento, respeito e carinho por parte de sambistas de São Paulo e também de outras cidades. Essa é a história da minha, da sua, da nossa Mocidade Alegre, a Morada do Samba.

Carnaval 2017 Ficha Tecnica Historia Carnavais Mocidade Alegre

E lá vem ela, pra deslumbrar a passarela em mais um cortejo triunfal! Sob a luz do carnaval, a Mocidade Alegre, mergulhada na emoção, através de seu Espírito de Sambista, volta aos primórdios da civilização e encontra-se com a deusa Vitória, protetora dos campeões.

Guiado pela Vitória, o Espírito vai conhecer os valores da luta de ontem e de hoje, não desistindo jamais. Aprenderá que, para ser forte, precisará de união. E verá que foi da união que se formou a minha, a sua, a nossa Mocidade Alegre!

Justamente no ano em que completa 50 anos de fundação como escola de samba, a Morada do Samba entrega a sua alma aos fundamentos apresentados pela deusa Vitória, que celebra esse Jubileu de Ouro com um importante ensinamento: “A Vitória Vem da Luta. A Luta Vem da Força. E a Força… Da União!”.

Vem ver… Vem viver esse momento lindo… A Mocidade Alegre, mais uma vez, está em festa!

Sábado, 05 Dezembro 2015 10:24

Ensaio Turbinado aa Tom Maior

Escrito por

Ensaio Turbinado Tom Maior

24 hs de Samba 2015

Quarta, 02 Setembro 2015 11:29

Ensaios do Esquenta

Escrito por

Ensaios do Esquenta

A Morada do Samba realiza, neste dia 23 de Agosto, a semi final de samba enredo.

Ingressos custam R$ 20,00 e a entreda é gratuita para sócios.

Segunda, 27 Julho 2015 11:41

2016 - Ayo - A alma ancestral do samba

Escrito por

Mocidade2016LOGO

Autor: André Cezari

INTRODUÇÃO

Memória da pele! Tatuagem, obra de arte viva, e atemporal tanto quanto a vida. Traçado delineado outrora pelos dentes animais, pelas lascas e pontas das pedras que marcaram os nômades, Neandertais.

Na África distante berço da humanidade, o homem e seus rituais, lavam a alma com sangue das veias ancestrais, escarificam o corpo, entronizam suas divindades naturais. Desenhos e linhas que consagram o ser e diferenciam os tribais.

Criando suas cicatrizes sobre a pele e nela os reflexos dos pigmentos demonstram orgulho, força, proteção, amuleto, amor, transe espiritual, devoção, vaidade, sexo. Sob o corpo as marcas sedutoras, refletem no olhar do outro sua mensagem sem som e sem palavras!

Marcas que transpassaram o véu da eternidade e tinha um papel social, religioso, místico... Ritos de passagens. Designa um amor absoluto, geralmente infinito, que não se enquadra nas limitações do tempo.

Onipresente, floresceu em todos os continentes, do norte, ao sul, leste e oeste, esboçando a vida de povos antigos, cravados na derme!

Historicamente a tatuagem revela hábitos e costumes que constroem o saber do homem sobre si mesmo e sobre o outro, produzindo sentido de identificação, estilos diversificados, "identidade da pele". Objeto de contemplação!

Em sua trajetória também foi marca do medo, de infâmia, criminalidade... Preconceito! Mesmo com a intolerância da sociedade humana, ela sobreviveu!

O homem. Dos nativos, aborígenes ao moderno, através da inserção de pigmentos sob a pele ou pela criação de cicatrizes, escreve seu próprio testamento.

Hoje se desenha arte. O maior órgão do corpo humano é a tela do artista, que nela imortaliza sua obra-prima, seu talento divinal!

No Carnaval 2016, a Sociedade Rosas de Ouro mostrará seus pigmentos, suas marcas encravadas na pele de seus componentes, artistas da folia que vislumbram há 44 anos a TATUAGEM delineada, traçada em seus corações pelo eterno Presidente Eduardo Basílio com a sua emblemática frase: "Serás eterna como o tempo e reflorescerás a cada Carnaval.

Uma linda homenagem, em "flashes" e estêncil, agulhas e tintas. Cores, brilho, canto, encanto e a magia do maior espetáculo a céu aberto da Terra.

SINOPSE:

Um tema tão vasto, com inicio há mais de cinco mil anos, precisa muito mais que algumas linhas para ser vislumbrado. O ato de marcar o corpo é tão antigo quanto à humanidade.

Em séculos de existência, marcas criadas ou conquistadas evoluíram como o próprio homem. Exposta como insígnia, a Tatuagem venceu feras com bravura (caça e defesa - idade da pedra), esculpiu corpos (escarificações), consagrou rituais (nativos - aborígenes- tribos), lutou em batalhas e virou troféu. Desbravou os mares, e migrou com navegantes entre as antigas civilizações. Do Egito ao Japão se desenvolveu em estilos e técnicas permanentes ou não.

Mas nem sempre, Tatuagem e religião conviveram em paz, diferentemente da postura dos primitivos, máquinas de repetir tradição, as civilizações ocidentais eram volúveis diante do corpo, o mesmo povo que condenava a marca a ser instrumento de prisão perpétua no rosto de seus escravos, os imitavam sem medidas, a ponto tal que foi preciso a intervenção da igreja mais de uma vez. Perseguida, a Tatuagem foi proibida no ano 787 d.C., pelo Papa Adriano I. Hiato que durou 982 anos, até que rostos Maoris delineados em traços finos surgem na Europa, levados pelo capitão James Cook, que ao aportar na Nova Zelândia, redescobriu a prática. James Cook é o pai do termo Tattoo. (Termo originário do som da batida do ancinho tatau, instrumento usado para desenhar na pele).

A Tattoo se espalhou com a velocidade da luz, deixando dentes, pontas, e o tatau "para trás" e a energia elétrica seduziu. Forjada em metal surge a Máquina de Tatuar em 1891 - O Tatuógrafo - reproduzida a partir da invenção de Tomas Edison, foi o imigrante irlandês, Samuel O’Reilly tatuador estabelecido em Nova York quem mudou o curso da Tattoo-trajetória, entre inspirações e adaptações, capta a intenção original da invenção, e usa as engrenagens para a nova geração. Com eletricidade, agulha e tinta, tatuadores crivam a derme e concluem a arte com rapidez e perfeição.

As peles camufladas viraram atração em espetáculos circenses. Com o passar do tempo picadeiros europeus mostravam inusitados, arrepiantes e bizarros homens e mulheres que se expunham, deixando o respeitável público em êxtase, no circo das ilusões.

Entre traços e pigmentos a Tatuagem percorreu cartas náuticas, embarcou com marujos e seus cachimbos entre os dentes! Viagens fantásticas por todos os povos do mundo, até guerras retratou!

A jornada marítima continua. Nos portos, braços dos valentes homens do mar, tatuados com ancoras, sereias, tridentes, carpas, flores, andorinhas, também a saudade eloquente, exibida na pele em forma de corações flechados, nomes apaixonados, enfim, todo corpo era marcado. Em cada pele um festival de traços e cores. Idolatrada entre minorias, periferias e artistas com autonomia. O marinheiro Lucky chega ao Brasil em 1959!

E neste solo fértil, onde floresce a roseira e canta o sabiá, Lucky Tattoo fixou seu olhar dinamarquês. Socializou sua arte na margem do cais transformando em profissão o que desenvolveu durante suas navegações, encontrou suas primeiras telas brasileiras entre as mulheres de vida fácil, e na malemolência dos malandros, nos guetos, nos becos e nas vielas de Santos.

Fez fama, virou mestre! Com a arte ocupou seu lugar na sociedade, status que o levou a tatuar pessoas de todo Brasil. Paralelo ao Flower Power na década de 60, Lucky usou também os símbolos do Movimento Hippie na psicodélica tribo da paz e amor. Sua arte despertou a atenção dos cariocas que disputaram seu traço, que tatuou o dragão no braço do (José Artur Machado, o Petit,) Menino do Rio. Mistura de sotaques e tintas nos corpos já tatuados/dourados pelo astro-Rei (sol) que também penetra a pele e faz brotar o pigmento natural.

O crescimento da tatuagem moderna integrou festivais de musica internacionais e
nacionais, ganhou as ruas e se transformou em galerias vivas de arte permanente. Lucky Tattoo é o rei da Tatuagem no Brasil!

E há cinco milênios depois, as tatuagens se modificaram muito, mas não saíram de cena. Nos jovens dos anos 70, era um dos meios de expressar rebeldia social, o sentido estigmatizador do uso da tatuagem começa a mudar a partir do final dos anos 80, quando se tornou até brincadeira de criança, nas areias das praias, nas figurinhas de chiclete. A partir dos anos 90, a opção por se tatuar converteu-se em prática crescentemente visível, e forte característica das culturas jovens urbanas. Motoqueiros e suas caveiras e abutres tatuados, skatistas, surfistas, skinheads, aventureiros e artistas da musica desde Woodstock, do Heave Metal, do Rock in Rio, e do Pop, do Punk, e do Rap. Este último, utiliza o grafite e o Tattoo, aliados ao talento musical nas denúncias sociais, e na deflagração das condições carcerárias, prisionais.

Entre às grades e incautos, a flor nasce. Em cadeias e casas de detenção, códigos, dialetos, separação, ritualização, conversão e saudade! Buscando com criatividade executar a arte, detentos e seus apetrechos mostram seus símbolos. O cinema e Televisão exibiram a atuação da "flor do presídio" em títulos diversos, como exemplo, o filme Carandiru.

O estigma associado às tatuagens diminuiu, o mundo se abriu! A indústria cresceu
exponencialmente, e o mercado continuou a florescer. Apontada como obra de arte a pele!

A Tatuagem virou o jogo, continuou a inspirar e também no esporte venceu a partida. Disseminada nos campos, nas quadras e nas torcidas.

A sociedade aderiu e aceitou sua evolução. Tratada como identidade, conectada
virou expressão, chegou às feiras e convenções, liderando o discurso da autenticidade, personalidade e superação. Reconhecida em todas as peles, sem distinção. Hoje a marca esta encravada também nas pessoas tradicionais, famílias normais onde mães e pais, trazem no corpo a lembrança de seus filhos, eternizando os laços na memória da pele.

Presente no Rap, Pop e no Rock, no Samba não foi diferente. Virou marca de gente bamba, que não passa a vida em branco, tinge com as cores do seu manto, o corpo, a pele, o símbolo do seu pavilhão.

Como agulhas, os saltos finos das passistas tatuam a passarela. Os tatuadores são: A Presidente, sua Diretoria, seus artistas, cantores, compositores, ritmistas, baianas, velha-guarda...Sambistas! E o Carnavalesco. A Comunidade é a Máquina. A Pele é o Samba, que arrepia! O Estêncil é o Figurino. O Enredo são os Flashes. O Pigmento são as Cores da Agremiação. O sentimento é o Pavilhão desfraldado pelos casais de mestre-sala e porta-bandeira, que riscam o chão de poesia e espalham o perfume da nossa Roseira.

No Carnaval 2016, a Sociedade Rosas de Ouro mostrará seus pigmentos, suas pétalas e marcas encravadas na pele de seus componentes, artistas da folia que vislumbram com alegrias as profecias de seu eterno Presidente Eduardo Basílio, que há 44 anos tatuou em seus corações a frase que reescrevemos com amor e respeito a quem plantou está semente, e gerou rosas do metal mais precioso, Rosas de Ouro:

"Serás eterna como o tempo, assim como a tatuagem que a partir de agora reflorescerá a cada Carnaval".

Quinta, 23 Julho 2015 10:43

Ficha Técnica - Mocidade Alegre

Escrito por

MOCIDADE ALEGRENome Oficial
Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre

Data de Fundação
24 de Setembro de 1967

Cores Oficiais
Vermelho e Verde

Simbologia estampada no Pavilhão
Mocidade – Casal de jovens que transmite energia e vitalidade com o ritmo e a dança.
Alegre – Quando tocamos um instrumento e dançamos no “terreiro” expressamos a alegria de ser sambista.
O círculo de fundo vermelho é o sol, símbolo da vida e estrela maior do universo

Títulos
1969 Grupo III (atual Grupo 2 da UESP)
1970 Grupo II (atual Grupo 1-A da UESP)
1971 Grupo I (atual Grupo Especial)
1972 Grupo I (atual Grupo Especial)
1973 Grupo I (atual Grupo Especial)
1980 Grupo I (atual Grupo Especial)
2004 Grupo Especial + Premiação Especial aos 450 anos de São Paulo.
2007 Grupo Especial
2009 Grupo Especial
2012 Grupo Especial
2013 Grupo Especial
2014 Grupo Especial

Presidente de Honra
Sr. Juarez da Cruz -In Memorian

Presidente
Solange Cruz Bichara Rezende

Vice-Presidente
Marcos Rezende dos Santos Nascimento (Mestre Sombra)

Assessor da Presidência e Presidente de Honra da Harmonia
José Francisco Pachón

Secretária da Presidência
Roseli dos Santos

Direção de Carnaval
Alcineide Lopes
Ariane Camilla de Oliveira Paulo
Edson Jerônimo Evangelista de Oliveira
Eduardo Fernandes Reck
Erica Ferreira
João Lolla Júnior
José Carlos L. Lopes
Marcos Rezende dos Santos Nascimento
Sidnei França de Almeida
Solange Cruz Bichara Rezende

Intérprete Oficial
Igor Sorriso

Mestres de Bateria
Marcos Rezende dos Santos Nascimento (Mestre Sombra)
Carlos Augusto Cruz Bichara Rezende (Sombrinha)

Direção Geral de Harmonia
Erica Ferreira

Direção Geral de Carnaval
João Lolla Júnior (Júnior Dentista)

Casais de Mestre-Sala e Porta-Bandeira
1º Emerson Ramires e Karina Zamparolli
2º Suellen Farias e Diego Henrique dos Santos
3º Jocimar Martins e Simone Castro

Presidente de Honra da Ala de Compositores
Sr. Alberto Alves (Sr. Beto) –In Memorian

Diretora Financeira
Adriana Cruz Bichara

Departamento Financeiro
Vera Lúcia Magalhães

Departamento de Eventos
Roseli dos Santos
Dudu Santos
Edson Silva
Renatinho Araújo
Rosemi Camargo
Gislaine Omofungê

Departamento de Turismo, Receptivo e Shows
Dudu Santos
Gilberto Ribeiro
Paula Scapecki
Malú Fernades

Departamento de Marketing
Janaina Lima e Sérgio Henrique

Assessoria de Imprensa/On Line
Francisco Angelo e Márcio Galinskas

Produtor Audiovisual/Comunicação
Dionísio Neto e Arthur Moreira

Departamento de Compras
Victória Catarine

MOCIDADE ALEGREAS RAIZES

No Natal de 1948, chegava a São Paulo – procedente de Campos (RJ) – com um pequeno grupo de amigos, Juarez da Cruz, que em pouco tempo teria participação fundamental no desenvolvimento do Carnaval de São Paulo.

Em 1950 Juarez, seu irmão Salvador da Cruz e mais dois amigos resolveram sair no Carnaval vestidos de mulher. Saíram no sábado e só voltaram na Quarta-feira, para desespero de suas esposas e filhos. Nos anos seguintes o bloco foi aumentando, com a presença de outro irmão, Carlos.

Em 1958, o então prefeito Jânio Quadros iniciou um projeto de recuperação dos bondes e ônibus da capital, com forte publicidade, e os coletivos reformados passaram a circular com os dizeres “Primeiros Bondes Recuperados pela Prefeitura”. Os integrantes do Bloco, num ato de grande irreverência carnavalesca, clamavam pela reabertura dos prostíbulos do Bom Retiro – fechados oito anos antes pelo governador Lucas Nogueira Garcez – onde trabalhavam as “mariposas”. E o bloco saiu com o nome de Bloco das Primeiras Mariposas Recuperadas do Bom Retiro, bairro em que Juarez e seus amigos moravam. Esse é um dos reais motivos para a notória proibição das mulheres no bloco, embora a maior parte dos componentes fosse casada.

Por imposição de um dos componentes do grupo, que se recusou a sair fantasiado de mulher, no ano de 1963, eles saíram de palhaços e percorreram a Avenida São João, onde a Rádio América promovia o Carnaval de rua com exclusividade. Enquanto o bloco passava em frente ao palanque armado próximo ao Cine Paissandu, o locutor Evaristo de Carvalho disse em alto tom: “É um bloco muito alegre, um bloco de sujos, como existem muitos no Rio de Janeiro…”.

Ao sentarem na esquina da São João com Conselheiro Crispiniano, aquela frase não saía de suas cabeças. Estavam no meio-fio, descansando, quando resolveram dar um nome ao bloco. Entre muitas sugestões o escolhido foi Mocidade Alegre, já que ao se apresentarem eles evocaram na lembrança do locutor os melhores tempos do Bloco Carnavalesco Mocidade Louca, de Campos e “alegre” foi o adjetivo usado para apresentá-los ao povo.

Outra grande novidade no Bloco das Mariposas, no mágico desfile de 1963 foi a presença, pela primeira vez, de uma mulher: Neide, esposa do Sr. Salvador Cruz, vestiu a fantasia de palhaço e foi para a avenida.

Juarez da Cruz trabalhava no supermercado Peg Pag desde 1955. No ano de 1964, um dos diretores, o francês François Bellot, casado com uma norte-americana, solicitou a presença do bloco em sua residência no carnaval do ano seguinte.

Em 1965 o bloco, agora com a participação de esposas e filhos, saiu de gregos. Entusiasmados, Bellot sugeriu a Juarez que aumentasse o número de componentes do Bloco e se preparasse para desfilar em Santos, onde a secretaria de turismo preparava um Carnaval de rua organizado – o que não ocorria aqui em São Paulo.

A rede de supermercados colaboraria, solicitando aos seus fornecedores de aves que cedessem as penas, o tema escolhido era índios astecas.

A lavanderia da organização cuidaria dos sacos de aniagem, antes embalagens de batatas, e que agora serviriam para a confecção das tangas. Os funcionários do departamento de Promoção cuidariam dos desenhos das fantasias dos índios latino-americanos.

Em 1966, foi escolhida a fantasia de espantalho. Para a confecção das fantasias foram comprados cetins, tafetás e sedas, recortadas posteriormente em tiras. O dinheiro foi arrecadado a partir de um livro de ouro assinado pelos diretores e fornecedores do Peg Pag e da rifa de um carro. Mas, ao passarem perto dos componentes de uma escola de samba no Ibirapuera, numa promoção da Rádio Record, alguns ouviram um comentário nada delicado. Mais ou menos isso, entre espanto e total surpresa: “Que escola é esta! Toda esfarrapada. Que mau gosto…”

A Questão é que os autores da maledicência não sabiam diferenciar uma escola de um bloco. E que os tais “farrapos” tinham custado mais caro do que suas pretensas luxuosas fantasias. Desde seu início, a Mocidade Alegre provocou os mais diferentes comentários, assim ocorreu em 1966, quando Phillipe Aladin, presidente do Supermercado Peg Pag, convidou o grupo para uma festa em sua residência. Os funcionários que não desfilavam no bloco dividiram-se em duas correntes, uma chamava os componentes de “puxa-saco” outra que criticava o presidente por ter recebido em sua casa um bando de “negros pinguços”.

Em 1967, o tema escolhido foi “Romanos”: os homens vestidos de gladiadores, com fantasias de pele de carneiros; e as mulheres tranças de damascos na cabeça.

A OFICIALIZAÇÃO

A Federação das Escolas de Samba de São Paulo surgiu em meados de 1967, época em que o jornalista Moraes Sarmento convocou todas as escolas, blocos e cordões carnavalescos para organizarem o carnaval de 1968. As reuniões ocorriam no Paulistano, na Rua da Glória. Tendo como base o estatuto dos Acadêmicos do Peruche, foi feito o da Mocidade, que em 24 de setembro de 1967 se transformou em Grêmio Recreativo Mocidade Alegre, tendo como primeiro presidente o Sr. Juarez da Cruz. Além de Juarez, também participaram da fundação seus irmãos Salvador e Carlos Augusto, Ademar Nunes, Ailton de Paula (Gordo), Antonio Ciullada e José Maria do Nascimento.

Também foi fundamental, nessa fase, a participação do casal Mingo e Olga – esta viria a ser porta-bandeira da agremiação, Nely – por muitos anos a secretária da escola – e Laila Cruz, que era irmã de Juarez, Carlos e Salvador e esposa do fundador Antonio Ciullada.

A escolha das cores oficiais teve que obedecer a uma convenção de que seria uma combinação original, diferente das já existentes nas agremiações da cidade. Pedro Tambellini sugeriu o vermelho e o verde, cores complementares que permitem uma grande gama de tons dégradés; como símbolo da escola, criou-se um desenho de tradução literal: um casal de jovens (“mocidade”) tocando e dançando (“alegres”). O pavilhão oficial da agremiação foi defendido até o momento por apenas seis porta-bandeiras: Vera (1967 a 1969), Olga (1970 a 1977), Eneidir (1978 a 1981), Sônia (1982 a 2002) e Adriana (2003 a 2012) e Karina (desde 2013) – todas elas bailarinas incomparáveis, que construíram a tradição da Morada do Samba de trazer sempre grandes porta-bandeiras. De todos os casais de mestre-sala e porta-bandeira que protagonizaram essa tradição, um marcou profundamente a identidade deste quesito no carnaval paulistano: Murilo (que recebeu o título de “O Bailarino”) e Sônia. A graça e a elegância desse casal tornaram-se uma referência – até os dias atuais – para diversos casais de todas as agremiações.

Para o Carnaval de 1968, o tema escolhido foi “Índios do Brasil”. Como havia 180 componentes, mas todos pobres, o único recurso foi apelar mais uma vez para a direção do Peg Pag. Valeu a pena. Havia um carro alegórico representando as selvas brasileiras com uma cascata mantida a partir de um tanque d’água, movida por uma bomba a gasolina. Faróis de milha iluminavam tudo. A Mocidade estava pronta para desfilar às nove horas da noite.

Quando acabaram de chegar próximo ao Lord Hotel, Juarez foi procurado pelos componentes da Federação, que expuseram o problema: o Rei Momo que deveria abrir o desfile num carro dos bombeiros se atrasou e o carro já havia passado.Ele não poderia descer a avenida a pé, afinal era rei.

As crianças, representado os curumins, foram retiradas da plataforma e substituídas pelos quase 200 quilos do Rei Momo. O peso foi tão desproporcional que o motor deixou de funcionar, e com ele a cascata de águas límpidas. Terminada a apuração veio o resultado: Mocidade Alegre em 5º lugar, penúltima escola.

Naquela época os ensaios eram realizados nas ruas de Vila Mariana. Os quietos moradores denunciaram várias vezes os componentes a policia, dizendo serem marginais. O jeito foi transferir os ensaios para um terreno vago na Pompéia de propriedade do Peg e Pag, onde aos domingos se jogava futebol pela manhã, churrasco à tarde e à noite, os ensaios.

O batuque atraia aos poucos os grandes nomes do samba de São Paulo, que foram chegando e transmitindo conhecimentos, Dráusio da Cruz, da Escola de Samba Império do Samba de Santos, começou a ensaiar os passistas e ritmistas. Estreitando os laços entre as escolas, e a Mocidade Alegre ganhava assim a sua nobre madrinha.

Neste ano, 1969, o tema escolhido foi “Na Corte de Nero”. A Mocidade Alegre ganhou o primeiro lugar. Passou assim para o segundo grupo, transformando-se de bloco carnavalesco em escola de samba.

A MORADA DO SAMBA

Morada do Samba, tradicional sede e quadra de ensaios da Mocidade Alegre, foi inaugurada no dia 17 de Julho de 1970 na Avenida Casa Verde, em um terreno onde antes funcionou um ferro-velho. O termo “Morada do Samba” foi criado por um integrante da escola chamado Argeu e sintetizava os principais objetivos da diretoria comandada por Juarez: abrir as portas da Mocidade para qualquer sambista, de qualquer co-irmã, qualquer pavilhão…um lugar para o sambista se sentir em casa.

Para levar a cabo essas intenções, Juarez contou com a colaboração do carnavalesco carioca Edson Machado, do paulistano Eduardo Nascimento e do santista J. Muniz Jr. Era o “trio de ouro”, que fez fortes intercâmbios e trouxe para a Mocidade Alegre relacionamentos estreitos com sambistas do Rio de Janeiro e de Santos. O portelense Candeia foi presidente de honra da ala dos Compositores da Morada por muitos anos, e o troféu que leva seu nome ainda hoje é oferecido aos sambas-enredo campeões. O intercâmbio com a Portela ia além, com outros compositores e diretores de harmonia que vinham do Rio de Janeiro para desfilar com a Mocidade Alegre.

Outros sambistas de renome protagonizaram os inúmeros encontros de sambistas que se deram na Morada do Samba: Jangada, Odair Fala Macio, Caveirinha, Souzinha, Marco Antônio e Sr. Beto. Este último teve participação fundamental na construção da Morada do Samba, que foi feita em regime de mutirão: Alberto Alves dos Santos (Sr. Beto, pedreiro por profissão), já tinha vivência no samba paulistano (foi um dos fundadores do Império do Cambuci). Ao ver as filhas de Juarez e Carlos com os pés atolados na lama, Seu Beto emocionou-se, resolveu aderir ao mutirão. Trabalhou de graça, por amor ao samba e desde então passou a dedicar-se somente à Mocidade Alegre.

O presidente Juarez criou, em 1972, o evento 24 Horas de Samba para comemorar os cinco anos de fundação da Mocidade Alegre. Notadamente, é um dos mais famosos aniversários de escola de samba do país, tendo como principal característica a confraternização entre escolas de samba de São Paulo e do Rio de Janeiro. Outros grandes eventos passaram a ser promovidos na quadra, tornando-se tradicionais: Terreirão do Samba, Eleição da Pantera Negra, Uma Noite na África, Uma Noite na Bahia e a Noite da Imprensa (esta última a mais concorrida: um mini-desfile com todas as fantasias que iriam para a avenida eram mostradas aos profissionais do rádio, da TV e dos jornais).

A RÁPIDA ASCENÇÃO

A Mocidade Alegre conseguiu a proeza de ser tricampeã do carnaval paulistano logo após subir para o grupo principal. Em 1970, venceu o Segundo Grupo e, nos anos seguintes, já promovida ao Grupo de Elite, foi tricampeã em 1971, 1972 e 1973.

O sucesso desse tricampeonato gerou forte impacto na estrutura do carnaval paulistano, que passou a centralizar sua visibilidade no desfile das escolas de samba. Com isso, os três últimos cordões remanescentes – Vai-Vai, Fio de Ouro e Mocidade Camisa Verde e Branco – resolveram transformar-se, também, em escolas de samba.

A Mocidade foi a primeira escola paulistana a introduzir destaques sobre os carros alegóricos, adereços de mão e alas coreografadas. A Morada do Samba também teve a honra de ser a primeira escola de samba a ser convidada pelo Ministério da Cultura a representar o samba paulistano na Europa, viajando para a Ilha da Madeira.

A preocupação com a cultura também foi uma das características mais fortes da Mocidade logo nos primeiros anos. Tanto a difusão da cultura sambística para fora da escola como a absorção de repertórios culturais externos para enriquecimento intelectual da comunidade. Foi na década de 70 que foi implantado o Departamento Cultural, que teve no professor Ivo Rodrigues uma de suas figuras mais emblemáticas. grande número de homenagens e condecorações registra as diversas ações de diálogo da popular cultura do samba com o meio acadêmico passaram a acontecer, como o desenvolvimento de enredos com profundo teor erudito – como Gamboa de Cima, Genaro de Carvalho (1974) e Procópio Ferreira, a Vida no Palco (1977) – este último contou, em seus preparativos, com uma inusitada apresentação da Mocidade Alegre no Teatro Municipal de São Paulo, fechando um espetáculo em tributo ao grande ator e dramaturgo. Ultimamente, o Departamento Cultural também tem sido freqüentemente requisitado para acompanhamento de trabalhos, dissertações e teses, mostrando um grande movimento de redescoberta da cultura popular pelo meio acadêmico.

No início dos anos 70 a Escola manteve a tradição de apresentar enredos sobre São Paulo. No final da década de 70 e início dos 80 predominaram temas relacionados à cultura negra, marca que até hoje se faz presente no imaginário de seus sambistas, sejam os mais tradicionais ou os mais jovens.

A MINHA, A SUA, A NOSSA MOCIDADE

Entre o campeonato de 1980 (Embaixadas de Sonho e Bamba – A Festa do povo) e o de 2004 (Do Além-Mar à Terra da Garoa, Salve essa Gente Boa!) foram 23 anos de ostracismo. Mas isso não significou que a Mocidade não tenha chegado perto desses títulos: foi vice-campeã em 1981, 1988 e 2003. E chegou ao terceiro lugar em 1993, 1996 e 2000.

O carnaval transformava-se ano após ano, mostrando-se cada vez mais competitivo. E a escola também foi se transformando: sambistas de muito talento foram para outras agremiações, outros de fora chegaram para dar sua contribuição. Mas a grande característica da Mocidade, a de formar sambistas, continuou predominante.

Dois carnavais marcaram profundamente a história da escola neste período: o de 1987 e o de 1988. Em 1987, ao homenagear o radialista Moraes Sarmento, a Mocidade fez uma justiça com a história de um homem que sempre defendeu a cultura popular e teve importante participação na oficialização dos desfiles das escolas de samba de São Paulo, junto ao prefeito Faria Lima. Um desfile marcado pela suntuosidade e pela renovação do conceito de fantasia e de alegoria.

Já em 1988, outro carnaval histórico. Desta vez homenageando o cientista e poeta Paulo Vanzolini. Figura querida tanto no meio artístico quanto no meio acadêmico, Vanzolini era diretor do Museu de Zoologia da USP e autor de músicas antológicas como Ronda, Juízo Final e Volta por Cima. O desfile rendeu à Morada do Samba um honroso vice-campeonato.

Em 1989, foi criada a Velha Guarda, batizada pelo próprio presidente e embaixador do samba Juarez da Cruz.

RENASCENDO PARA UM NOVO DIA          

Em 1992, o presidente Juarez da Cruz passou o cargo para seu irmão, Carlos Augusto Cruz Bichara. Durante a gestão do Sr. Carlos foi criado o Grupo Miscigenação, com a intenção de produzir shows temáticos para apresentações em empresas, eventos e turismo receptivo.

O presidente Carlos Augusto Cruz Bichara faleceu em 1998, sendo substituído pela sua filha Elaine Cristina. O processo de retomada do crescimento da escola continuava: o Departamento de Eventos, o Departamento Jovem e a bateria, agora já conhecida pelo nome de “Ritmo Puro” passaram a ter forte atuação e mobilizaram um grande número de jovens na comunidade. Houve mudanças significativas na produção artística visual também: um grande número de artistas amazonenses, formados no Festival Folclórico de Parintins, passou a atuar no barracão, revolucionando as alegorias.

A “Lei do Psiu” fez com que, em 2001, as eliminatórias e ensaios passassem a acontecer nas tardes de domingo, o que só fez aumentar a característica de ambiente familiar que marca a escola.

O vice-campeonato de 2003 (Omi-Água, Berço da Civilização Yorubá) foi festejado como se fosse um campeonato. Era a coroação de um trabalho árduo e dedicado de sambistas apaixonados após anos de experimentações, acertos e erros.

A VITÓRIA VEM DA LUTA… A LUTA VEM DA FORÇA… E A FORÇA, DA UNIÃO!

Uma onda de otimismo e resgate da auto-estima dominava os diversos segmentos da escola logo após o vice-campeonato de 2003. A presidente Elaine afastou-se do cargo para cuidar de problemas de saúde e empossou a então vice-presidente, sua irmã Solange Cruz Bichara Rezende.

Enfrentando dificuldades financeiras, Solange iniciou sua gestão canalizando sua forte personalidade e a empolgação dos diversos segmentos em pról da qualidade máxima em todos os quesitos. O trabalho incansável e persistente da nova diretoria resultou em um antológico campeonato já em seu primeiro carnaval (2004), com o enredo Do Além-mar à Terra da Garoa, Salve Essa Gente Boa. A Cidade de São Paulo comemorava seus 450 anos e a Morada do Samba finalmente fez-se campeã, depois de um jejum de 23 anos sem títulos.

A criatividade, a poesia e a emoção superaram a falta de luxo dos primeiros carnavais desta gestão.

No campo da responsabilidade social, os projetos sócio-culturais foram multiplicados e reforçados, através de parcerias consistentes. As oficinas, que a princípio eram apenas de formação de sambistas, passaram também a oferecer formação profissional, e transformaram a Morada do Samba em um verdadeiro campus.

Em 2005, com o enredo Clara Claridade, Um Canto de Luz no Ilê da Mocidade a agremiação ficou em terceiro lugar. Mesma colocação conquistada no ano seguinte, com o enredo Das Lágrimas de Iaty surge o Rio, do Imaginário Indígena a Saga de Opara. Para os Olhos do Mundo um Símbolo de Integração Nacional: Rio São Francisco.

O sexto campeonato da escola veio em 2007 com o enredo Posso ser Inocente, Debochado e Irreverente. Afinal, sou o Riso dessa Gente. Mais um campeonato conquistado com pouco luxo, mas com muita vibração e disciplina. Logo após o carnaval, foi reativado o Departamento Cultural, que imediatamente começou a planejar os festejos de 40 anos de fundação e o desenvolvimento dos enredos para os carnavais seguintes.

O carnaval de 2008 foi um verdadeiro divisor de águas, com visível modernização na concepção visual da escola e grande credibilidade de parceiros comerciais e culturais. Com o enredo Seja Bem-Vindo a São Paulo, Sabe Por Quê? Porque São Paulo é Tudo de Bom! a escola obteve a mesma pontuação que a campeã Vai-Vai, mas terminou em segundo lugar devido ao critério de desempate. Outro fato que marcou o ano de 2008 foi o grande investimento no turismo receptivo na escola, com formação técnica de diversos integrantes, e melhorias estruturais na quadra – como a construção de camarotes e obras de acessibilidade para portadores de necessidades especiais.

Um carnaval nunca é igual ao outro. E mudanças são sempre necessárias: para 2009, a figura do carnavalesco foi substituída por uma Comissão de Carnaval. O enredo Da Chama da Razão ao Palco das Emoções, Sou Máquina, Sou Vida, Sou Coração Pulsando Forte na Avenida foi mais que compreendido e interpretado pelos sambistas da Morada, que conquistaram o sétimo campeonato. Em pleno anúncio do campeonato, o presidente de Honra Juarez da Cruz passou mal, vindo a falecer uma semana depois.

A comoção com a partida do Baluarte-Mór dominou a comunidade, que não descansou após o carnaval e começou cedo a trabalhar para 2010. O enredo Da Criação do Universo ao Sonho Eterno do Criador… Eu Sou Espelho e Me Espelho em Quem me Criou!!! Durante os preparativos para esse luxuoso carnaval, foi criado o Departamento de Marketing e a Mocidade Alegre recebeu o Premio Top Qualidade do Brasil. O desfile emocionante fez com que a Morada do Samba recebesse a maior somatória de notas dos jurados. Mas havia o descarte de notas, que resultou em um honroso segundo lugar.

Para 2011, a Morada do Samba preparou o belíssimo enredo Carrossel das Ilusões. O luxuoso desfile foi prejudicado pela quebra, ainda na concentração, do carro alegórico que representava o cinema em terceira dimensão. A falta da alegoria no desfile foi motivo de notas baixas no quesito Enredo, deixando a escola em sétimo lugar na apuração.

O enredo escolhido para o carnaval 2012  (Ojuobá – No Céu, os Olhos do Rei. Na Terra, a Morada dos Milagres. No Coração… um Obá Muito Amado)  fez um tributo ao centenário de Jorge Amado através de seu livro preferido (Tenda dos Milagres). Faltando pouco mais de um mês para o desfile, um incêndio de grandes proporções atingiu o barracão, não deixando feridos. A comunidade uniu-se à diretoria em mutirão, para que todo o projeto de carnaval fosse cumprido. A garra e a união resultaram em um belíssimo desfile, campeão, marcando o oitavo título da escola.

O desafio para 2013 foi conquistar o bicampeonato, que não vinha desde 1972. O irreverente enredo A Sedução me Fez Provar, me Entregar à Tentação… Da Versão Original, Qual Será o Final? tratou os pecados capitais como uma redenção, inventou novos fins para velhas histórias e sonhou com um futuro de paz entre os povos. Os grupos cênicos foram a tônica de um desfile vibrante que levantou as arquibancadas e mais uma vez credenciou a Escola do Limão entre as favoritas. O bicampeonato só foi confirmado na última nota e a comemoração, na Quadra social, marcou o último evento da Mocidade Alegre no tradicional endereço da Av. Casa Verde.

A Morada do Samba estava ogulhosa de mudar de sua antiga quadra (inaugurada e fechada após campeonatos) e de estrear sua nova Quadra Social com mais um campeonato. Com o alto grau e competitividade que vem marcando o desfile das escolas de samba nos últimos anos, é praticamente impossível uma agremiação ser tricampeã. E, em se tratando de impossível, nenhum tema seria mais pertinente que a Fé. Com o enredo Andar com Fé Eu Vou, Que a Fé Não Costuma Falhar foi um achado para a escola poder ser, mais uma vez, ela mesma. Durante os preparativos, um novo incêndio, dessa vez em seu escritório, levou à prova o comprometimento da comunidade e sua própria fé: em poucas semanas, a escola estava funcionando normalmente, graças a mutirões. O histórico desfile de 2014 – em que a escola toda se ajoelhava por diversas vezes em plena avenida – credenciou o segundo tricampeonato.

Em 2015, o enredo Nos Palcos da Vida… Uma Vida no Palco: Marília homenageou a vida e a obra de uma das maiores atrizes do país – Marília Pêra. O requinte das fantasias e das alegorias, aliado à organização e disciplina de diversos segmentos da escola, a manteve no pódio, com um honroso vice-campeonato.

Para o carnaval de 2016 e a Mocidade Alegre está desenvolvendo o enredo Ayọ – A Alma Ancestral do Samba, que celebrará o centenário do ritmo que mais simboliza o Brasil a partir da lenda de Ayọ, orixá que representa o som dos tambores e a alegria contagiante que eles propagam.

TRADIÇÃO, MODERNIDADE E ALEGRIA

A Mocidade Alegre é a escola que está a mais tempo desfilando, ininterruptamente, no Grupo Especial (desde 1971) e já soma dez campeonatos. Os bons resultados dos últimos carnavais não desviam a atenção da atual diretoria que, além da responsabilidade de sempre apresentar um carnaval competitivo, trabalha na construção de uma sede própria, definitiva e à altura da grandeza que sua comunidade atingiu.

Além do notório apuro artístico, a escola zela pela sua responsabilidade social, administrativa, financeira, jurídica, contábil e cultural, com grande integração entre os integrantes militantes e os profissionais da casa. Outra integração fundamental ocorre entre a tradição e a modernidade, visto que a escola precisa estar atenta às novas necessidades do carnaval, a cada ano mais arrojado, mas sem jamais perder o referencial de suas tradições, suas raízes e, principalmente, de sua identidade.

O compromisso de disputar o campeonato todas as vezes em que entrar na avenida marcam a atual realidade da Mocidade Alegre, que apesar de todas as mudanças não se desprendeu de seu objetivo maior, plantado há quatro décadas por seu fundador: ser a Morada do Sambaum espaço onde qualquer sambista, de qualquer agremiação, possa se sentir em casa.

Departamento Cultural - Mocidade Alegre

Desenvolvimento do Enredo

Setor 1
Fé… Acreditar no Que os Olhos Não Veem!

Setor 2
Religiões… Arrebanhando Almas em Nome da Fé

Setor 3
Fé no Sobrenatural – Bruxaria ou Verdade?… Cada Um Acredita no Que Quiser, ou Precisar!

Setor 4
A Crença nas Previsões… Meu Caminho Traçado!

Setor 5
A Esperança na Fé Que Move Montanhas… Eu Ainda ‘Boto’ Fé!

Sinopse do Enredo

 

Apresentação

Fé é uma atitude perante a vida, intraduzível em palavras.
A fé só existe diante do abismo das incertezas.
Quem tem certezas não precisa ter fé.“

(Rubem Alves)

 

Sob a luz do carnaval, a Mocidade Alegre lança seu olhar sobre uma das mais belas emoções que movem a humanidade: a Fé.

Esse sentimento que sabemos entender e vivenciar, mas não conseguimos explicar, é verdadeiro, confiante, apaixonado… Guarda seus mistérios e gera uma força incomparável que desconhece limites… Pois até quem não tem fé em nada, tem fé que o nada existe!

E a Morada do Samba, alegre por trazer em seu cortejo uma legião de sambistas fervorosos, agradece a cada um deles, pois é da soma desses milhares de corações – que sambam e cantam em forma de prece – que vem a nossa força maior, a nossa fé!

É assim que vamos superar o impossível e realizar a nossa missão,

Avante, Família Mocidade Alegre!

Setor 1 – Fé… Acreditar no Que os Olhos Não Veem!

 

“Me disseram, porém
que eu viesse aqui
pra pedir de romaria e prece paz nos desaventos
como eu não sei rezar
só queria mostrar
meu olhar, meu olhar, meu olhar”

(“Romaria”, de Renato Teixeira)

A fé acredita sem ver, e é isso que a torna tão misteriosa. O fiel peregrino, ao trilhar por esse caminho em busca pela luz divina, mostra sua devoção, ardente e inquieta como a chama das velas que brilham e choram por súplica ou por gratidão, ligando o humano ao divino,

Nesse cortejo em forma de romaria, é como se cada vela fosse acesa pelo calor do coração de cada fiel, tamanho é o sentimento de quem a oferece,

É a fé ardente, que nos conduz ao estado de plenitude e profunda devoção… É a fé!

Setor 2 – Religiões… Arrebanhando Almas em Nome da Fé

 

“As religiões são caminhos diferentes convergindo para o mesmo ponto.
Que importância faz se seguimos por caminhos diferentes,
desde que alcancemos o mesmo objetivo?”

(Mahatma Gandhi)

O ser humano – no encontro do sentido de sua existência – sempre buscou, dentro de cada sociedade, outras pessoas que compartilham da mesma fé, formando a religiosidade. A civilização construiu sua história em torno de diversas religiões que até hoje se mantém vivas. Cada povo antigo instituiu sua fé do seu jeito, com sua linguagem, seus ritos. Grandes templos foram construídos e muitas vezes o líder espiritual também foi o líder político e militar, tido e havido como o representante único de Deus – ou dos deuses – sobre a Terra.

Cada religião gerou um código de identidade entre seus seguidores, uma linguagem que se mostrava em vestimentas, gestos, atitudes e formas de se ver o mundo. Muitas delas também criaram escrituras litúrgicas, como um código escrito, sagrado, absoluto, cuja desobediência pode ser considerada um pecado.

Uma grande promessa é recorrente nas mais diversas religiões: O encontro com a paz e a felicidade eternas, em algum lugar, em algum tempo, que se desconhece e nem por isso enfraquece a crença das almas arrebanhadas em nome da fé… Afinal, o medo de cometer pecado e, como consequência, perder o lugar no paraíso sonhado, fez com que muitos fiéis fossem guiados pelo anseio da eternidade prometida!

Setor 3 – Fé no Sobrenatural – Bruxaria ou Verdade?
Cada Um Acredita no Que Quiser, ou Precisar!

 

“Eu vou me banhar de manjericão
Vou sacudir a poeira do corpo batendo com a mão
E vou voltar lá pro meu congado
Pra pedir pro santo
Pra rezar quebranto
Cortar mau olhado”

(“Banho de Manjericão”, de João Nogueira e Paulo César Pinheiro)

O fascínio pelo sobrenatural também tem seus fiéis, seja nas xamânicas pajelanças caboclas, nas senhoras benzedeiras que conhecem ervas e rezas fortes para tudo… Seja nos terreiros das cidades, com a incorporação de “guias”, que consolam o coração e dão coragem a quem acredita, que retribui com cantos e oferendas. Nas mesas brancas, mensagens do além confortam quem sente saudades de ‘quem passou para lado de lá’ e o ‘passe espiritual’ renova as energias.

No sobrenatural, encontramos também as milenares superstições… O medo de gato preto, do espelho quebrado ou ainda de passar por debaixo da escada… E para espantar o azar e o mau olhado, nada melhor que patuás, amuletos e até mesmo um bom talismã!

Tem quem acredite em duendes ou ainda na capacidade de cura dos cristais, que absorvem a energia negativa e a devolvem para a terra. Na cromoterapia, a própria força das cores pode curar e prevenir doenças.

A crença na magia e no esoterismo seriam frutos da bruxaria ou da ancestralidade humana, que guarda segredos e espera sempre por soluções mágicas através de poderes sobrenaturais? Afinal, cada um acredita no que quiser, ou precisar!

Setor 4 – A Crença nas Previsões… Meu Caminho Traçado

 

“Já está escrito, já está previsto
Por todas as videntes, pelas cartomantes
Tá tudo nas cartas, em todas as estrelas
No jogo dos búzios e nas profecias”

(“Cartomante”, de Ivan Lins)

A tentação de prever o futuro também move a fé de muitas pessoas. É como se o caminho de cada um de nós já estivesse traçado e, através de oráculos, pudéssemos saber o que nos espera.

Quantos de nós não começamos o dia sem antes ler o horóscopo? Ou então, quando temos aquele probleminha no emprego, não recorremos a um bom jogo de búzios ou a um numerólogo?

E a mística e mágica figura das ciganas, que vivem de descobrir o destino das pessoas lendo as linhas das suas mãos ou até mesmo através das cartas de tarô?

A crença nas previsões também gerou o surgimento do que podemos chamar de “mercado da fé”, onde nos deparamos com poções milagrosas, soluções momentâneas e anúncios folclóricos, tais como “Chá Que Levanta Defunto”, “Banho do Emprego”, “Faço Amarrações do Amor” e “Trago Seu Amor de Volta em Sete Dias”

A fé na bonança do porvir é fruto da necessidade humana de acreditar que o futuro será brilhante e, mesmo que o presente seja difícil, é acreditando que fazemos por merecer as melhoras tão sonhadas,

Aos que creem nas previsões, o futuro está traçado e a luz da fé é o caminho a ser seguido!

Setor 5 – A Esperança na Fé Que Move Montanhas… Eu Ainda ‘Boto’ Fé!

“Se eu não for por mim, quem irá por mim?
Se eu for só por mim, quem serei eu?
E se eu não for agora, então quando?”

(Rabino Hillel)

A fé é uma emoção interior, íntima, vivencial. Cada coração sabe compreender o que, para que e como acredita. Em se tratando de fé, para algo ser verdadeiro basta que alguém acredite. É assim que o impossível se torna possível: doenças são curadas, graças são conseguidas, limites são superados.

E a esperança, outra característica nossa, nos conduz à “boa fé”: nas pessoas, na política, na família, no bem, na vida, no futuro! Se nos jogos de loterias muitos apostam fazendo sua “fezinha”, no carnaval uma escola de samba é uma demonstração de comunhão, de tolerância e de muita fé!

Nesses tempos modernos de comunicação na velocidade da luz, muitas pessoas preferem viver a fé à sua própria maneira, não se comprometendo com nenhuma religião, descobrindo que o Universo inteiro cabe dentro de seu pensamento, da sua mente e do seu coração. E assim, você pode romper barreiras, superar limites e buscar a elevação espiritual, pois há um templo em cada um de nós, permitindo-nos conhecer a força do Deus interior – único, verdadeiro e iluminado – que liberta a alma e aponta o caminho…

Afinal, esteja você diante da grandeza do Universo ou na infinitude da sua força interior, o mais importante é…

Andar com fé… Que a fé não costuma falhar… Jamais!

 

“Andar com fé eu vou…
Que a fé não costuma ‘faiá’”

(“Andar Com Fé”, de Gilberto Gil)

Sinopse do Enredo

Apresentação

Sob a luz do Carnaval, a Mocidade Alegre resgata um dos princípios fundamentais da folia, que é a reinvenção da realidade, onde se pode por o mundo de cabeça pra baixo e – ainda assim – irradiar felicidade plena,

Este enredo é um convite à sedutora tentação de assumir o papel de criador, de reinventar histórias que nos foram apresentadas ao longo dos séculos, de mudar o rumo dos fatos e até mesmo de visitar o futuro, garantindo assim um amanhã mais justo e feliz,

Entregue-se à tentação de reescrever a nossa história... Afinal, da versão original de tantos dogmas, leis naturais, fábulas e realidades que aprendemos vida a fora, qual será o final???

E a sedução é pra contagiar você, comunidade guerreira, que sempre defende nosso pavilhão com muita emoção! Vamos cantar, dançar, vestir nossa fantasia... Vamos fazer do nosso jeito, com a nossa cara... Vamos seduzir o mundo com o nosso samba!

Rumo à tentação de transcender, mais uma vez, os limites da alegria e agora da sedução, porque...
 

 A Vitória Vem da Luta... A Luta Vem da Força... E a Força da União!

Valeu Comunidade!

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