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Mocidade Alegre

Mocidade Alegre

Embora a fundação oficial da Mocidade Alegre tenha sido em 24 de setembro de 1967, sua história começa quase 20 anos antes. São seis décadas marcadas principalmente pelos fortes laços familiares entre seus integrantes e pelo reconhecimento, respeito e carinho por parte de sambistas de São Paulo e também de outras cidades. Essa é a história da minha, da sua, da nossa Mocidade Alegre, a Morada do Samba.

Carnaval 2017 Ficha Tecnica Historia Carnavais Mocidade Alegre

Terça, 01 Janeiro 2013 11:55

2013 -

Escrito por

Sinopse do Enredo

Apresentação

Sob a luz do Carnaval, a Mocidade Alegre resgata um dos princípios fundamentais da folia, que é a reinvenção da realidade, onde se pode por o mundo de cabeça pra baixo e – ainda assim – irradiar felicidade plena,

Este enredo é um convite à sedutora tentação de assumir o papel de criador, de reinventar histórias que nos foram apresentadas ao longo dos séculos, de mudar o rumo dos fatos e até mesmo de visitar o futuro, garantindo assim um amanhã mais justo e feliz,

Entregue-se à tentação de reescrever a nossa história... Afinal, da versão original de tantos dogmas, leis naturais, fábulas e realidades que aprendemos vida a fora, qual será o final???

E a sedução é pra contagiar você, comunidade guerreira, que sempre defende nosso pavilhão com muita emoção! Vamos cantar, dançar, vestir nossa fantasia... Vamos fazer do nosso jeito, com a nossa cara... Vamos seduzir o mundo com o nosso samba!

Rumo à tentação de transcender, mais uma vez, os limites da alegria e agora da sedução, porque...
 

 A Vitória Vem da Luta... A Luta Vem da Força... E a Força da União!

Valeu Comunidade!

Desenvolvimento do Enredo

Setor 1

A “Chama da Razão”

Setor 2

Fé e Ciência... O Coração e os Mistérios da Vida

Setor 3

Máquina da Vida... A Vida Que Se Faz Viva

Setor 4

Cenário das Paixões

Setor 5

No Palco das Emoções, o Coração da Morada do Samba Pulsará Mais Forte Outra Vez

Sinopse

Na cadência ritmada do samba a Mocidade Alegre este ano traz, sob a luz do carnaval, a força mística deste que carrega consigo a magia do dom de viver: o coração!

O coração já foi símbolo da inteligência e da sabedoria!

Para os egípcios, o coração que bate no peito de cada ser era representado por um sol. Era a “chama da razão” que radiava energia interior e iluminava o raciocínio. Ou seja, o coração era o centro da inteligência e da razão, e por isso o poder da luz solar se fazia presente em cada ser, proporcionando lucidez e sabedoria.

Também já representou o mistério da vida, testemunhou a trajetória humana na disputa pela fé e foi desbravado pela ciência na conquista do autoconhecimento!

Na Idade Média, com o poder absoluto da igreja, a devoção ao sagrado coração de Jesus recebeu maior impulso. O coração tornou-se o lugar do mistério e da purificação. O místico deseja perder-se dentro dele a fim de desvendar os segredos da fé e desbravar os caminhos da vida. As tentativas de desvendar o funcionamento da natureza eram encaradas como heresia. Sendo punidas pela Santa Inquisição.

Porém, com o passar dos séculos, o mundo viveu grandes transformações. A relação do homem com a natureza mudou radicalmente. A cultura, o pensamento e o conhecimento científico passaram por uma fase de muitas mudanças, denominada Era do Renascimento.

O Renascimento representou a busca do conhecimento e do estudo fora do âmbito daquelas matérias permitidas pela Igreja. Os renascentistas preocupavam-se principalmente com as questões ligadas à vida humana. Essa busca possibilitou o desenvolvimento do conhecimento anatômico em ritmo acelerado, abrindo as portas da ciência para a evolução da medicina. E assim, o coração foi desbravado pela ciência na conquista do autoconhecimento. Era o homem olhando para dentro de si em busca de respostas para as dúvidas sobre sua existência.

Nos dias atuais, esta “Máquina da Vida” que impulsiona nossa existência, é referência de saúde e bem-estar...

Na eterna busca pelo equilíbrio entre o corpo e a alma este órgão simboliza a conquista da vida saudável.

E por falar em saúde, as descobertas científicas foram muitas na busca pelo bem-estar e qualidade de vida. O avanço da medicina clássica possibilitou o surgimento de várias técnicas nos cuidados com o coração, como por exemplo, o controle dos batimentos cardíacos. Os mesmos batimentos marcam o compasso desta fantástica “máquina da vida”, que impulsiona a existência e enobrece a dádiva do ser, numa integração prefeita entre Criador e criatura.

Hoje os avanços da cardiologia são tantos que, na celebração da vida em busca da longevidade, podemos destacar o transplante de coração. Verdadeiro símbolo de amor ao próximo, pois através deste nobre ato aprendemos que doar é viver... É vida que se faz viva em outro ser!

Representa também o “cenário das paixões”... Viva o amor!

O coração representa também o cenário dos nossos mais fortes sentimentos. É assim que aprendemos e entendemos as nossas emoções. Emoções que servem de combustível a esta aventura apaixonante que é viver.

E, dentre tantas paixões e amores marcantes, se deixarmos falar mais alto a voz do coração, conheceremos a paixão que arde nos corações enamorados... O amor singelo que habita o coração de mãe, que de tão afetuoso e acolhedor, sempre cabe mais um... E o coração romântico que serve de inspiração para músicos e poetas... O amor ao futebol, que na Copa do Mundo une milhares de corações brasileiros... Viva o amor nos corações!

E se o assunto são amores, falemos do coração do sambista, que bate na cadência de um surdo de marcação e acelera no compasso da paixão toda vez que adentra a avenida!

E por falar em coração de sambista, mostraremos que...

No Palco das Emoções o coração da Morada do Samba pulsará mais forte outra vez... Certamente pulsará!

Orgulhosamente, desfilaremos a nossa inesgotável alegria na Passarela do Samba, que se faz novamente o grande palco das emoções e já viu o coração da Morada do Samba pulsar mais forte em seis momentos inesquecíveis. Seis carnavais vitoriosos que fizeram nossos corações mais unidos.

1971 – São Paulo e Seus Carnavais

1972 – São Paulo, Trabalho, Seresta e Samba

1973 – Odisséia de Uma Raça

1980 – Embaixadas do Sonho e Bamba (Festa do Povo)

2004 – Do Além-Mar a Terra da Garoa... Salve Essa Gente Boa!!!

2007 – Posso Ser Inocente, Debochado e Irreverente... Afinal, Sou o Riso dessa Gente!!!

E hoje, com muita garra e emoção, há de pulsar mais forte outra vez o coração da Morada do Samba, pois no “ritmo puro” do amor minha Mocidade vai passar...

“Simplesmente poesia,

Esbanjando simpatia...

Faz pulsar o coração, minha paixão...

Respeitosamente é Mocidade o meu pavilhão!!!”

Trecho do “Samba-exaltação ao Pavilhão da Mocidade Alegre”

Bate Forte Coração Vermelho e Verde... Avante Família Mocidade Alegre!!!

Palavra do Autor:

"Que as mentes dos nossos Poetas sejam iluminadas pela chama do amor ao samba... E que a poesia, emoção e valentia das obras vencedoras estejam em seus corações... Boa sorte!!!"

Sidnei França

Direção de Carnaval

Comissão de Carnaval

Departamento Cultural

G.R.C.E.S. Mocidade Alegre - A "Morada do Samba" - 20 de Maio de 2008

Setor 1

São Paulo Vanguardista - Gigante Inovador que Aponta Tendências

 

 

São Paulo recebe a quem chega, dizendo: Seja Bem-Vindo!!! É hoje reconhecida por seu perfil de metrópole efervescente, ousada e inovadora. Porém, tais características se consolidaram quando a cidade foi palco da Semana de Arte Moderna de 22, o primeiro passo do movimento modernista no Brasil, servindo de divisor de águas da história da cultura brasileira.

 

A primeira e fundamental obra literária da nova corrente dedicada a São Paulo, "Paulicéia Desvairada", do paulistano Mário de Andrade, desafiou convenções com muita ironia e ousadia. Apresentando uma cidade fervilhante de acontecimentos e comprometida com o futuro; satirizando a maneira como o paulistano lida com o tempo. Tal evento ratificou a vocação da Paulicéia para o pioneirismo; apontando tendências com originalidade e inovação. Sempre buscando o novo. Sem medo de ousar.

 

Mário de Andrade vislumbrou uma paulicéia futurista e pulsante sob o signo do progresso; verdadeiro motor de uma nação pronta para conquistar o mundo e receber aos que chegam. Apresentou-nos a São Paulo vanguardista.

 

A inovação e a ousadia desta cidade foram ricamente valorizadas pelo poeta - e hoje serão apresentadas na passarela do samba - mostrando uma cidade de poesia concreta, desnudando valores e consagrando este caleidoscópio de etnias e culturas, que fizeram do teu solo o cenário onde tudo acontece e se transforma, onde as cores se misturam para consagrar a dualidade de uma metrópole feita de lata e bronze, de luz e bruma, de tradição e ruptura, do velho e do novo. Representa os mais diferentes olhares e perspectivas a respeito de São Paulo, pois cada um de nós entende e aceita esta cidade de uma maneira muito particular.

 

A fascinação e o horror do moderno confundem-se, produzindo esta variedade de enfoques sobre a cidade. E é exatamente por causa desta dualidade que alguns poemas de "Paulicéia Desvairada" traduzem a essência caleidoscópica (misturada) e cheia de metamorfoses (transformações) da mais importante metrópole do Brasil. Seguindo sua essência como centro gerador de tendências para o País. Assim é São Paulo.

 

Enfim, o futuro vislumbrado pelo poeta chegou... É hoje, aqui na passarela do samba!!!

 

 

 

Setor 2

São Paulo das Oportunidades - Metrópole que Acolhe e se faz Palco de Grandes Acontecimentos

 

 

A modernidade vislumbrada pelo poeta se traduz hoje numa São Paulo que atrai, acolhe e engrandece. Vencer aqui significa reconquistar diariamente a metrópole, num exercício de amor e determinação.

 

São Paulo serve é servida. Rica em opções de comércio e serviços, a cidade se mostra um ambiente ideal àqueles que aqui aportam em busca de realizações e crescimento. À princípio assusta pela grandeza, pelos seus arranha-céus, por sua pluralidade, mas sabe acolher aos que chegam, evidenciando a sua marcante hospitalidade.

 

Chegar a São Paulo significa se deleitar nos braços gentis da cidade que nunca dorme para não perder o compasso, que serve de palco dos grandes acontecimentos e se faz terra das oportunidades.

 

Consagrando-se como um colosso de bravura e luta. Verdadeiro gigante obstinado que tem como destino o sucesso e serve de caminho para o progresso!!!

 

 

 

Setor 3

São Paulo Multicultural - Cenário das Artes, Diversão e Entretenimento

 

 

Seguindo a sua vocação de gigante obstinado e transformador, "Sampa" se apresenta como um verdadeiro caldeirão de culturas e etnias, que faz dessa cidade um local onde a interatividade, a efervescência e a constante mutação seja o retrato fiel de sua vocação de encantar e seduzir aos que conhecem a sua agitação.

 

Museus, teatros, cinemas e tantos outros espaços apresentam ao mundo o pulsar feliz da São Paulo que não pára de nos surpreender com suas infindáveis atrações culturais.

 

À noite, São Paulo se transforma num verdadeiro espetáculo de luz e cores, atos e cenas, acordes clássicos e modernos. Com seus shows, peças, musicais e espetáculos, de peças experimentais dos circuitos alternativos às superproduções inspiradas na Broadway, há tudo de bom por aqui.

 

Seduzindo por sua agitação e fervilhante maneira de divertir, se apresenta como uma das cidades mais atrativas e interativas do mundo!!!

 

 

 

Setor 4

São Paulo da Gastronomia - Uma Viagem pelos Sabores

 

 

Quanto a gastronomia São Paulo é tudo de bom, pois tem uma rica variedade de pratos a oferecer, fazendo com que o convite à mesa seja também uma verdadeira viagem pelo país e pelo mundo, enriquecendo o paladar e a vivência de quem prova teus sabores.

 

Se a experiência culinária é essencial para conhecer uma cidade, isso é ainda mais verdadeiro em São Paulo, que oferece pratos dos mais variados: populares e sofisticados, nacionais e internacionais, leves e fartos... Deixando explicita a sua personalidade de cidade para todos os gostos e sensações. Por isso, depois de "Seja Bem-vindo", a primeira frase que o visitante ouve ao chegar a São Paulo é "Bom apetite"!!!

 

 

 

Setor 5

São Paulo da Diversidade - "Sampa" de Todas as Tribos

 

 

E por falar em todos os gostos, São Paulo se destaca quando o assunto são as diferenças. Quem chega se sente à vontade, pela extensa experimentação de culturas e hábitos, convivendo em perfeita harmonia.

 

O centro de tradições gaúchas, o centro de tradições nordestinas, os rappers da periferia, os roqueiros da Galeria 24 de Maio, as Escolas de Samba, a Parada do Orgulho GLBT - um dos maiores símbolos atuais da diversidade entre as tribos - e tantos outros são os exemplos de uma metrópole generosa ao acolher os opostos e propiciar um convívio pacífico.

 

Aqui todas as tribos se encontram e fazem desta cidade uma verdadeira festa, com originalidade, inovação e irreverência. Sempre buscando o novo. Sem medo de ousar. Exatamente como o poeta um dia vislumbrou... E que hoje torna a "Paulicéia Desvairada" uma cidade tudo de bom!!!

Introdução

A Mocidade se faz mais "Alegre" do que nunca e, sob a luz do carnaval, traz para o asfalto a essência que a magia do riso possui, pois ele altera o estado de espírito de todo ser humano abrindo as portas para a comunicação com o mundo ao nosso redor. Torna a vida mais colorida e feliz, uma vez que possui a capacidade de espantar a tristeza. O riso é a própria expressão da alegria.

E por falar em alegria, o brasileiro sempre transformou em riso qualquer situação que num primeiro momento pudesse lhe parecer difícil. Sempre foi mestre na arte do improvisar e foi justamente isso que lhe deu a marca da criatividade, hoje, estampada em seu espírito.

O Brasil, desde seu surgimento enquanto nação foi dando jeitos, e dentre todos os jeitos, surgiu o jeitinho brasileiro, que nada mais é do que dar um tom, uma cor, ao modo brasileiro de encarar a realidade.

E assim surgiu o jeito inocente, debochado e irreverente dessa gente brasileira de se levar a vida em ritmo de gargalhadas, pois nosso riso é mais feliz. No asfalto demonstramos que somos os mestres da alegria, afinal... fazemos carnaval!!!

Sorria, a Morada do Samba chegou!!!

Setor 1 – A Magia do Riso Inocente

A criança é a própria expressão da pureza. Seu jeito de rir revela a inocência e a sinceridade de alguém que ainda acredita em encantos e magias, que brinquedos tenham vida e que os contos de fadas também existam. A magia do universo infantil é a vida em suas verdades essenciais, justamente por possuir uma visão original sobre tudo.

O riso é uma das primeiras experiências de vida. Ele é responsável por dar início à interação da criança com o mundo ao seu redor. É ele quem abre as portas do fantástico mundo da imaginação, onde fábulas e contos ganham formas e cores, transformando a vida numa grande brincadeira.

O ato de brincar e sorrir são as fontes de inspiração para todos artistas anônimos que fazem da pureza do riso infantil a essência de sua arte e revelam a todos que a simplicidade é a alma da felicidade. Assim eram os saltimbancos, heróis que perambulavam pelas estradas do país, levando uma arte artesanal e singela. Davam vida a fantoches, ventríloquos e marionetes, e se expressavam nas formas mais variadas. Moravam no mundo e seu destino era a alegria.

As luzes se acendem, o asfalto vira passarela, a música entoa alegre e constante. A troupe da alegria anuncia que a magia do riso chegou.

Setor 2 – Sob a Lona do Picadeiro, o Riso em Cena!

"Hoje tem espetáculo? Tem, sim senhor!" Assim gritava o coro da multidão de crianças que corriam para repetir as graças ditas pelos mensageiros da alegria. Era o circo chegando em caravanas, espalhando pelas ruas uma das mais antigas e completas manifestações populares e artísticas. Esta arte milenar, remontada nas próprias origens da humanidade, provavelmente nascida do desejo do homem em ser dono do próprio destino, é o verdadeiro sinônimo da alegria.

O circo é parte da memória da infância de todos. O circo é a criança que nunca envelhece. Enquanto existir um sorriso de criança, a magia do circo sobreviverá. E essa magia só se perpetuou e se espalhou devido ao amor e dedicação dos artistas que carregam em suas veias o sangue nômade do circense. Foram eles que conseguiram fazer com que a mensagem do riso e da alegria sobrevivesse em meio à dureza e o concreto das cidades. Eles reinventaram a sua história com as próprias mãos, recosturando as lonas, pregando estacas, levantando arquibancadas e dando vida a um dos maiores espetáculos da Terra.

Sob a lona colorida, as lantejoulas brilhantes, os retalhos, os traços e a pintura cintilante dão vida e formas ao encanto. A voz de comando anuncia de forma firme e calorosa: meninos e meninas, senhoras e senhores, o espetáculo vai começar, revelando o momento mágico em que arte se encontrará com o riso.

E como um passe de mágica, a poesia então acontece. Como se fosse uma gigantesca peça teatral, muda a face das pessoas na medida em que vai mudando a face das peripécias dos artistas. O imprevisto então surpreende, comove e faz aflorar o mais intenso sorriso de emoção. São malabaristas, ilusionistas, contorcionistas, trapezistas, dançarinos e acrobatas criando uma alegoria que nada mais é do que a alma do circo, seu fundamento.

E, no centro do picadeiro entra em cena a maior expressão da alegria, capaz de despertar gargalhadas e fazer com as pessoas esqueçam sua vida por alguns minutos. São os palhaços, maiores testemunhos do sorriso livre de qualquer juízo, de qualquer crítica. Com seu jeito debochado, ingênuo e brincalhão, com seus sapatos enormes, rostos pintados, roupas largas e coloridas, com seus chapéus alegóricos, perucas e penteados e um falso nariz redondo, com suas trapalhadas, cambalhotas, bofetões e andar desengonçado provocam no ser criança a intensidade de um sorriso verdadeiro, onde a magia do faz de conta, realmente acontece.

E foi justamente com o palhaço, símbolo maior de um circo, que o Brasil testemunhou o despertar do jeito brasileiro de se fazer sorrir. A genialidade de alguns artistas, que com uma capacidade extraordinária de improviso e empatia com o público, deram uma cara bem brasileira em suas travessuras e brincadeiras.

Nos circos iam brotando personagens que, em pouco tempo, foram motivos de inspiração para tantos outros artistas do cinema, televisão e rádio. Sem contar que muitos deles, também pisaram nas arenas e fizeram cena sob a lona do picadeiro.

Setor 3 – As Chanchadas Revelam ao Mundo um Jeitinho Brasileiro de Fazer Sorrir

O brasileiro sempre transformou em riso qualquer situação que num primeiro momento pudesse lhe parecer difícil. E assim, apresentava ao mundo seu jeitinho todo particular de fazer arte pelo riso, não deixando de mostrar, em todas as suas faces, o modo alegre e feliz da nossa brava gente em levar a vida, muitas vezes sofrida, mas nem por isso menos alegre.

E nenhum outro estilo de arte foi tão característico ao retratar a nossa fanfarrice do que as "chanchadas", que nada mais foram do que o principal produto de um cinema que tentava se fixar como indústria do humor nacional.

Mesmo pretendendo, em certos aspectos, imitar o modelo hollywoodiano, as chanchadas transpiravam uma inconfundível brasilidade, dominando as telas nacionais e batendo de frente com a produção estrangeira. Já consagrada, a comédia popular colocou em destaque os problemas cotidianos da época, misturando o circo, o carnaval, o rádio e o teatro de revista em filmes que retratavam o malandro brasileiro, os desocupados, as donas de pensão e as empregadas domésticas. Atingia um público mais amplo, com linguagem fácil e oriunda de outras manifestações artísticas que já faziam sucesso.

O sucesso destes filmes deveu-se a uma infinidade de fatores. Um deles é a grande popularidade do rádio no Brasil. De norte a sul, os programas de auditório, com a presença de grandes cantores eram transmitidos para todo o país e tinham imensa audiência. A era do rádio proporcionou uma infinidade de ouvintes porque ainda não existia a televisão. Ele acabava sendo um dos únicos meios de comunicação capazes de trazer entretenimento ao público que não tinha acesso aos cassinos. Assim, filmes que apresentassem os cantores iriam atrair todas as atenções em todo o país, já que finalmente o público poderia conhecer a fisionomia de seus ídolos.

Um outro fator que contribuía para o sucesso do cinema brasileiro era o teatro de revista, feito sobre a estrutura de esquetes, contando com grande número de comediantes famosos no Cassino da Urca. Sendo assim, são levadas para o cinema as estrelas do rádio, do teatro de revista e dos cassinos.

A chanchada revelou uma comédia cinematográfica tipicamente brasileira e de maneira mais específica, carioca, musicada e baseada no exagero de tipos, traços e comportamentos culturais, bem como situações vividas por personagens populares em busca da ascensão social. Ressaltou ainda a figura do anti-herói cômico, enredado nos conflitos entre mocinhos e bandidos. Enfim, era através de seus ídolos o reflexo de um povo feliz que brincava no carnaval, brigava nos bares, ria sem preconceitos e tinha esperança no futuro.

Ainda que tenha sido um cinema de diversão ou de mero entretenimento, a chanchada permitiu não apenas uma continuidade da produção nacional, como revelou grandes comediantes do antigo teatro musicado.

O brasileiro provou no cinema ser mestre na arte do riso improvisado e debochado. Foi justamente isso que lhe deu a marca da criatividade. Ficou marcada no tempo a saudade de um cinema romântico, que registrou na história o jeito brasileiro na arte de fazer sorrir.

Setor 4 – Sátira-Brasil – Uma Zorra Total

Com o surgimento da televisão, o cinema perdeu muito de sua força, pois a mesma tornou-se muito mais popular, obrigando aos grandes artistas invadirem o universo televisivo. Graças a TV, muitos cômicos puderam manter o esquema divertido e original de sabor bem brasileiro. Porém, o humor passou a ser reformulado, deixando as características que fizeram sucesso no cinema, para então se tornar mais crítico, revelando um outro jeito de encarar a vida.

Era o brasileiro rindo do próprio brasileiro. Afinal de contas, quando a barra está pesada, é melhor fazer piada, pois brasileiro que é brasileiro adora rir de tudo e de todos, mesmo porque é de graça e não paga impostos. Abusa do senso de humor e expõe sua extraordinária criatividade e irreverência, disfarçando, em tom crítico, sua insatisfação. O bom brasileiro tem sempre uma língua afiada e sabe muito bem o momento certo de brincar com a situação, sabe como fazer de um fato aparentemente catastrófico, um motivo para rir, mesmo que este riso seja de si mesmo.

Sendo assim, a TV brasileira foi invadida por corsários com um único intuito: fazer humor inteligente. Era a TV Pirata que roubava o sinal de transmissão dos televisores em todo o Brasil para instaurar a anarquia em forma de paródias, escrachos e ironias. Fazia nossa alegria em quadros que esculhambavam a televisão em si e a vida em geral.

Está de saco cheio de ser assaltado? Bebeu todas e acordou com uma baranga do lado? Cansada de dietas milagrosas e remédios que alucinam, mas não diminuem suas medidas? As Organizações Tabajara trazem os mais absurdos, divertidos e politicamente incorretos produtos desenvolvidos, numa verdadeira Bíblia para o consumidor moderno. De certa forma, denuncia a própria indústria do consumo, instaurada em nosso país, alimentando cada dia mais o monstro do capitalismo. Com toques de ironia, viraram uma febre nacional e hoje, quando se quer dizer que o produto não presta e não funciona, é só dizer que é Tabajara que está tudo entendido.

O Brasil vem deixando a sua nação cada vez mais pobre e mais endividada e isso logo virou humor. "Isto não te pertence mais" virou outra febre nacional. O bordão ilustra a nova realidade da classe média alta brasileira que, diante das adversidades percebe sua condição financeira cada vez mais comprometida, transformando assim, os ricos em "novos pobres".

E, vindo do "aquém do além adonde veve os mortos", surge Bento Carneiro, o Vampiro Brasileiro. Célebre personagem de Chico Anysio trata-se de uma sátira aos vampiros dos filmes, sempre poderosos e malvados, que aterrorizavam todos que os viam. Já o Bento, num paralelo ao brasileiro, também pobrezinho, desnutrido, tinha os caninos cariados, e nada dava certo pra ele, pois não conseguia assustar ninguém. Mais atual do que nunca, esta personagem personificava a idéia do próprio Brasil frente as grandes potencias mundiais, resumido a tão somente um país de terceiro mundo, que sofre com a falta de credibilidade nos mais diversos setores de nossa sociedade.

E por falar em credibilidade, a tv denuncia ainda que no Brasil tudo acaba em pizza, o que significa que culpados não serão devidamente punidos. A expressão afirma que os escândalos políticos no Brasil devem terminar à mesa, com leves conversas e aperitivos. Há quem atribua a origem da expressão ao caráter irônico do brasileiro.

Enfim, dentre outros tantos personagens e programas humorísticos, a televisão segue dando o recado e mostrando que o Brasil não passa de uma zorra total. Um país onde nada é levado a sério, tudo em poucos segundos vira pirataria, nada funciona ou tem qualidade. Um país onde o povo, mais pobre e endividado vai formando uma nação completamente desacreditada, pois sabe que apesar de tudo, a "pizza" lhe será servida à mesa.

Apesar do brasileiro possuir essa alegria, essa festividade e mostrar seu lado feliz, também sabe reclamar da sua situação, embora de um jeitinho diferente, irreverente como essa gente retratada nas telas da televisão.

Seguindo a filosofia brasileira, se está difícil, é melhor fazer piada. Pois, nosso riso irreverente comprova que apesar dos problemas somos mestres da alegria, afinal fazemos carnaval.

Setor 5 – Sorria, é Carnaval!

Nenhuma festa é capaz de apresentar uma quantidade tão grande de sorrisos. Quando o carnaval invade o asfalto, paira no ar uma alegria contagiante que emociona a todos que esperam um ano inteiro para realizarem suas fantasias e viverem um momento de glória. E esta alegria está estampada no ícone que a representa, o Rei Momo. Num sorriso largo e iluminado, ele consegue contagiar a todos e nos convida a cair na folia. Uma onda de euforia nos invade e decreta: sorria, é carnaval.

Com seus giros, as baianas espalham gotas de pura emoção e alegria, evidenciando a vocação de esbanjar simpatia em seus largos sorrisos. São mães, avós e tias do samba. Carregam as mais diferentes histórias e sonhos e quando chega o momento de adentrarem a avenida, a fantasia toma conta de seus destinos, como se Deus se refletisse em suas almas.

E tão intensa como a luz do Sol, o grande Astro-Rei, foi a luz que iluminou as mentes e os corações daqueles que num momento de bem-aventurança criaram um verdadeiro celeiro de bambas, a Mocidade Alegre, que carrega em sua essência, a começar pelo próprio nome, a alegria de ser sambista.

Escola de Samba irreverente, inovadora, jovial e de grandes talentos, a Morada do Samba se faz mais do que nunca a guardiã da felicidade e do humor. Sentimentos estampados nos sorrisos felizes de cada um dos seus filhos, tornando-a também uma verdadeira Morada do Riso, onde o samba e a alegria fazem morada.

E neste carnaval, chegamos ao ano em que comemoraremos os nossos 40 anos. São quarenta carnavais, e sorrimos de orgulho e felicidade por fazermos parte desta história construída e preservada pelos nossos baluartes do riso, guardiões da nossa alegria, com muito amor e irreverência. Aliás, o amor ao samba e a irreverência são sentimentos que moldaram a nossa identidade, e fizeram da nossa gente uma verdadeira família, a família Mocidade Alegre.

Sorria filho da Morada, pois seu destino é sorrir... sorria de alegria e de orgulho... afinal, sua Escola é "Alegre"... É a Mocidade Alegre... sorria!!!

Introdução A Morada do Samba hoje vem exaltar um dos maiores símbolos naturais do nosso país. Sinônimo de nacionalismo, brasilidade e integração. Apropria-se da visão indígena para contar uma história na qual todos estão convidados para, juntos, fazermos essa viagem fantástica pela memória indígena, desvendando, em meio às crenças e rituais, os conhecimentos mais ancestrais da habitação da espécie humana sobre o solo brasileiro. E, assim, revivermos os encantos místicos de Opara, nome indígena dado ao Rio São Francisco, ou mais afetivamente falando "Velho Chico". Devido à sua extensão gigantesca, muitas páginas da história do Brasil foram escritas em suas margens. Em meio à miscigenação sócio-cultural, a fé, a arte e a cultura dos povos ribeirinhos fizeram do rio um dos elementos responsáveis por dar uma cara, rosto e perfil ao brasileiro. Era o Rio São Francisco contribuindo para a construção da identidade nacional. Pelas águas bravias e envolventes desse Rio, navegaremos na mais pura vocação para o progresso. Alcançaremos o despertar do índio adormecido dentro de cada brasileiro. Então, a consciência de preservação trilhará os caminhos para a integração nacional. "... Vai comigo meu projeto entre sombras, minha luz de bolso me orienta ou sou eu mesmo o caminho a procurar-se?" Carlos Drummond de Andrade, Canto Brasileiro Avante Família Mocidade !!! Origem do Rio no Imaginário Indígena No imaginário indígena o rio teria se formado pelas lágrimas da bela Iaty, uma linda índia que fora prometida a um forte guerreiro. Porém, houve uma guerra nas terras do norte e todos os guerreiros se foram para a luta. Entre eles estava o prometido da formosa índia que tomada de saudades pelo seu amado chorou copiosamente. Como eram muitos, seus passos afundaram a terra formando um grande sulco. As águas passaram a percorrer o caminho aberto pelos guerreiros, escorrendo até o norte para então, encontrar-se com o oceano, e assim teria se formado Opara - nome dado pelos filhos de Tupã, os verdadeiros donos da terra - ao Rio São Francisco. Setor 1: A Grande Invasão e o Despertar dos Maus Espíritos Às margens de Opara, os donos da terra consagravam Kuat (Sol) e Jacy (Lua) em louvor à fartura da terra quando ouviram um intenso ruído vindo das águas. Só poderia ser ela, a Cobra Grande, entidade maléfica, voraz e com capacidade de transformar-se em outras formas para enganar os nativos. Naquele dia, no imaginário indígena tomava a forma de uma imensa nau - embarcação até então estranha aos índios que habitavam as margens de Opara. Mas só até aquele momento, pois a visão da chegada de uma nova espécie humana, o homem branco, transformaria para sempre a saga indígena em solo brasileiro. Aquela embarcação, que aos olhos dos índios se apresentava como um espírito maléfico, era o navio de Américo Vespúcio e sua chegada mudou definitivamente o destino da habitação indígena no Novo Mundo. A chegada do homem branco invasor causou o despertar dos maus espíritos que habitavam as profundezas de Opara. Setor 2: O Domínio do El Dorado - Escravizando e Catequizando os Filhos de Tupã A presença da Cobra Grande era tão ameaçadora aos índios que até mesmo Kuat (Sol), sob a influência dos maus espíritos, teria se acovardado. No entanto, corajosamente Jacy (Lua) se apresentou para proteger aquele paraíso tropical e seus habitantes dos olhos de cobiça do homem branco invasor. Foi então que a natureza presenciou a Grande Noite, que durou três dias. Porém, Jacy (Lua) imaginava que a presença daqueles novos seres, conduzidos à aldeia pela Cobra Grande, seria passageira. Mas ao verificar que o destino daquele sagrado templo da natureza havia sido modificado eternamente, convocou Kuat (Sol), já liberto das influências dos maus espíritos, para juntos protegerem a fauna e a flora, e assim se restabelecia o ciclo natural do dia e da noite. Após o despertar do deus Kuat (Sol) e com a luminosidade natural vinda dos céus, as riquezas naturais daquele paraíso tropical estavam evidenciadas e na obcecada busca pela conquista do Novo Mundo, o homem branco invasor lançava seus sentimentos de cobiça e ambição, até então totalmente desconhecidos dos povos indígenas. Estava iniciada uma nova página na história do Rio São Francisco. O índio passara a presenciar e sofrer as conseqüências do desbravamento do Rio realizada pelos bandeirantes em busca do "El Dorado", terra prometida que, na visão do Velho Mundo, oferecia fartura de riquezas animais, vegetais e minerais. A luta pela posse da terra fora feroz. Após sangrentas batalhas, o dono da terra, já escravizado, sustentara a exploração e o acúmulo de riquezas do branco opressor. E, com a descoberta de ouro, diamantes e outras pedras preciosas no Alto São Francisco, a colonização desta área consolidara o domínio sobre a inocência e fragilidade indígena. Como se isso não bastasse, surgiram as Missões Católicas que na verdade não passavam de mais uma manobra violenta. Na ânsia de facilitar o domínio do habitat, o branco propagava a fé católica ignorando assim toda e qualquer crendice do real dono da terra. Este por sua vez, vira sua fé invadida tanto quanto sua terra. Os filhos de Tupã (Deus Maior), de almas puras e totalmente integradas à natureza passaram a clamar aos seres encantados da floresta pelo fim das mazelas originárias do Velho Mundo. Pediam pelo fim das dores e sofrimentos trazidos pelos Filhos do Trovão (nome que os índios deram ao branco invasor). Setor 3: O Vapor Encantado e as Lendas do Velho Chico Todos os seres vivos do Universo estão interligados e os povos indígenas sabiam, pela intuição e o coração, que teriam de dividir eternamente sua terra com o invasor. Pelo fato de possuir uma íntima comunhão com tudo que existe no Universo e saber relacionar-se com os mistérios da natureza, o índio libertou-se das influências do invasor e passou a buscar um reencontro com seu destino na imensidão das matas. Manteve-se integrado às forças que movem a existência da vida. Não abandonou a celebração da fauna e da flora, tesouros estes que garantia e cobria-lhe de farturas. Fora justamente este movimento indígena voltado à natureza e seus fenômenos que contribuiu para que o Rio São Francisco exercesse fascínio entre o espírito humano. Tornara-se um berço de lendas, mistérios e encantos carregados de reminiscências ancestrais. Seus povos aprenderam a explicar o surgimento da vida projetando na natureza a própria imagem do homem. O índio desejara encerrar um período sangrento e traumático de sua saga às margens de Opara. Para isso, promoveu o Toré, ritual de purificação aonde seus participantes buscavam, na dança e magia do grande Pajé, expiação para minimizar seus males e sofrimentos. Ainda que com a ameaçadora presença bandeirante, foi tomado por um sentimento de esperança que o fortaleceu, pois sempre acreditou que mais forte que a morte era o respeito e o amor que ele sentia pela natureza. Sendo assim, estava recriado o elo com os segredos que permeavam o rio. Dentre os rituais de celebração às bênçãos de Tupã (Deus Maior) está a sagração ao eclipse, fenômeno natural que na visão indígena representa a fertilidade da terra. Tal fenômeno é um sinal de que a Mãe Natureza, tornara-se novamente fértil e seu espírito materno e acolhedor, oferecera fartura de fontes de vida e riquezas. Momento mágico e propício à união entre Jacy (Lua) e Kuat (Sol), selando com as bênçãos dos seres elementares (água, terra, fogo e ar) a essência da presença humana sobre a Terra. Mais tarde, lendas e mistérios originados do imaginário indígena sobre o Rio São Francisco ultrapassaram as barreiras do tempo e povoaram a mente do homem sertanejo, que colonizou e encontrou às margens do Velho Chico o seu meio de subsistência. Na cultura do homem ribeirinho surgiram mitos originados da visão indígena. Segundo as crenças dos homens do lugar viveriam, nas profundezas do rio, seres aquáticos em convivência pacífica, porém, sempre sob a ameaça do despertar dos maus espíritos (Cobra Grande). Mas, nenhum outro fenômeno natural carregou tantos mistérios como as noites de lua cheia. Tal fenômeno seria propício aos seres mitológicos do lugar: como por exemplo a Mãe D´água (Iara) e o Pescador Encantado. Conta a lenda que, na figura de uma mulher muito atraente, Iara atraia os pescadores, e os levavam para as profundezas do rio tornando-os seres encantados. Segundo essas histórias, muitos foram os atraídos pela mãe d'água e que desapareceram misteriosamente quando pescavam em noites de lua cheia. E em sua mais célebre lenda, o Velho Chico acolhe a estória do Vapor Encantado. Tal embarcação, transportando fidalgos e vassalos que rumavam para o Alto São Francisco numa das várias missões de colonização, teria naufragado numa noite de lua cheia enquanto sua tripulação dançava e festejava. Pratarias, tecidos nobres e objetos valiosos daquela gente que nunca chegara a seu destino, desceram ao fundo do leito do rio. Segundo o relato dos povos ribeirinhos, em noites de lua cheia, o navio retorna a superfície no trecho entre Januária e Bom Jesus da Lapa para reviver os momentos de glória e festejos. Todos afirmam ver um navio iluminado que desaparece numa intensa névoa quando algum sertanejo curioso dele se aproxima. Vale ressaltar que nessas visões, o vapor nunca chega a porto algum. Setor 4: Povos Ribeirinhos - Fé, Arte e Cultura do Homem Sertanejo... Surge a Identidade Nacional Para o índio, tudo tem seu real brilho e valor, e o ser humano existe para dançar e festejar esse brilho. Daí a razão das muitas festas e das intermináveis danças, cheias de alegria. Essa capacidade de festejar foi sendo transmitida ao homem ribeirinho, produto da mistura do índio e do luso, com laivos de sangue negro. O sertanejo são-franciscano ou nordestino é a perfeita encarnação do tipo bandeirante rijo, que lutou com a natureza, devassou os sertões intransitáveis, dominou os selvagens, repeliu o elemento estranho e fez prevalecer suas características muito próprias através de ricos exemplos de fé, arte e cultura regional. No coração do Brasil, o rio presencia, em suas margens, o surgimento de um legado cultural de valor inestimável. Por meio da formação e estabelecimento dos povos ribeirinhos, surge a verdadeira nacionalidade. Esses homens e mulheres souberam resguardar as riquezas culturais tanto da própria terra, quanto as de outros continentes. Estava criada a cultura sertaneja que passou a deixar marcas que jamais serão apagadas na maneira do sertanejo sentir e ver o mundo. Dentro de sua alma e sangue vive uma poderosa energia capaz de interferir na linguagem, nos conteúdos de seu imaginário e nos costumes que caracterizam seu cotidiano. A fé, a cultura e a arte ribeirinha fizeram com que o Rio São Francisco contribuísse para a construção da identidade nacional. Sob a influência católica, surgiram tradições e rituais de fé como a Romaria ao Senhor dos Navegantes , a Festa do Divino Espírito Santo e a Folia de Reis. Em Alagoas, estabeleceu-se o Quilombo dos Palmares que fomentou a presença africana nas margens do Rio São Francisco. Os quilombolas consolidaram e difundiram a cultura negra na região. Constatando a miscigenação cultural ocorrida na região são-franciscana, surge a festa dos Caboclos, Marujos e Catopês. Há ainda a apresentação do grupo de Bacamarteiros onde atiradores de bacamarte detonam grandes cargas de pólvora seca, em homenagem aos santos padroeiros. No entanto, na vida sertaneja nem tudo são festejos e comemorações. O nordestino, deteriorado pelo tempo, massacrado pelo descaso, insiste em permanecer forte. Caminha sobre os trilhos do sol em busca da estação felicidade. Sua crença em dias melhores define o destino dessa gente que vê no Velho Chico uma possível solução para sua "Vida Severina". Quanto à arte ribeirinha a diversidade é enorme. A arte em barro e as rendas do nordeste caracterizam de forma única o artesanato popular dos povos ribeirinhos e os repentistas e as bandas de pífanos traduzem sua musicalidade. Porém, a maior demonstração de arte regional são as "carrancas do Rio São Francisco" que personificam a eminente presença de seres encantados cuja função era a de proteger as embarcações, espantando os maus espíritos que habitavam as profundezas do Velho Chico. Desenvolveu-se na região do São Francisco uma arte própria e os artistas populares denominados "carranqueiros", apoiados na idéia de esculpir um enfeite de proa, criaram soluções plásticas próprias, de elevado conteúdo artístico e emocional, provocando verdadeiro impacto. Setor 5: O Velho Chico e a Consciência de Preservação - O Caminho para a Integração Nacional e o Sol Reluzente da Ordem e do Progresso Se olharmos para as riquezas e possibilidades de desenvolvimento que o Rio São Francisco nos oferece, entenderemos que é chegada a hora de encarar a responsabilidade do homem contemporâneo de explorar com responsabilidade os recursos do rio. Nos mitos indígenas, seres humanos, cobras, peixes e plantas interagem, convivem. Por tanto, é preciso preservar a Biodiversidade (variedade de espécies vivas) da região do Vale do São Francisco, instituindo o que sabemos pela ciência empírica (que se apóia exclusivamente na experiência e na observação, e não em uma teoria): todos formamos uma cadeia única e sagrada de vida. Todos devemos, assim como os índios, nos tornarmos "ecologistas". Devemos preservar a verdadeira ilha de recursos que o Rio São Francisco possui. Devemos torná-lo um santuário ecológico, preservando o que de certa forma foi plantado, cultivado e colhido pelos índios. Temos de respeitar a terra como mãe a fim de encontrarmos o equilíbrio entre o Homem e a Natureza. A complexidade da vida gera sentimentos de prisão e angústia. O Homem precisa reencontrar o espírito da paz que tanto o índio cultivou às margens do Rio São Francisco. É preciso encontrar a liberdade, o dom mais precioso, pelo qual construímos a nossa identidade e moldarmos nosso destino. Com isso, o Brasil deixará de sonhar com o futuro para tornar-se um Brasil, país com futuro. E quando o povo brasileiro passar a valorizar e preservar suas riquezas naturais com responsabilidade propiciará o surgimento de uma verdadeira integração nacional, gerando e dividindo os frutos do desenvolvimento, alimentando a esperança de uma nação verdadeiramente digna para que possa reluzir o sol da ordem e do progresso, iluminando o solo brasileiro e as águas bravias desse rio, que mais parece uma artéria a pulsar no coração desse país, levando amor e fartura aos guerreiros de uma tribo chamada Brasil !!!

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