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Nenê de Vila Matilde

Nenê de Vila Matilde

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Nenê de Vila Matilde é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo.

Fundada em 1949 por Seu Nenê, que foi presidente da escola por 47 anos, até passar o comando da entidade, em 1996, para seu filho, Alberto Alves da Silva Filho, em razão de alguns problemas de saúde. Mesmo assim continuou a desfilar em todos os anos seguintes. Seu Nenê faleceu em 20102 deixando vaga a lacuna de grande patriarca do Carnaval de São Paulo e recebendo de todos a admiração merecida por ter construído uma das maiores festas da cidade.

Carnaval 2017 História Carnavais Nenê de Vila Matilde

Nene2016LOGOAutor: Roberto Szaniecki

INTRODUÇÃO
Nesta raia iluminada, o Anhembi como grande palco transforma-se com a magia e a fantasia do Carnaval.
A nossa querida "Nenê" invoca esse encantamento para que, diante dos nossos olhos, os sonhos e paixões de uma menina chamada Maria Cláudia retornem ao passado e se materializem no nosso Espetáculo Musical.
Certamente todos nós nos emocionaremos com essa trajetória que será contada de forma não linear rumo ao estrelato da querida Rainha do Teatro Musical.

1º SETOR - ABERTURA - SONHO E PAIXÃO

Como por encantamento a menina Maria Cláudia é apresentada por sua mãe, dona de uma Academia de Dança, à dança clássica. Apaixona-se pela delicadeza dos movimentos e o som das melodias que os embalam.
Determinada, assistindo os dançarinos mais adiantados atuarem, decide realizar seu Sonho de ser a maior "Prima Bailarina" do mundo.
O balé tinha a aventura, grandes estórias de amor e muita cor, movimento e brilho das luzes dos palcos compunham aquela magia. "O Balé Romeu e Julieta" passa a ser a sua obra preferida.
Assim, envolvida por esse enorme amor a dança, amplia o seu olhar para além das academias e descobre na telinha da TV os grandes Musicais da "Era de Ouro do Cinema Musical".
Neste momento a pequena bailarina se imbui do desejo de aprender a cantar e interpretar ampliando seu sonho de atuar nos musicais.
Para consolidar de vez esta paixão, teve a oportunidade de ver um "Show de Revista" ao vivo.
Agora o caminho está traçado, só basta passo a passo trilhá-lo rumo à concretização do seu apaixonante Sonho Dourado.

2º SETOR - E A MAGIA CONTINÚA

Quando assistiu a um espetáculo circense foi arrebatada por aquele encanto das cores, luzes e movimentos frenéticos dos atores que desfilavam suas habilidades número a número.
Seu grande "Príncipe Encantado" surgiria na figura do esbelto Domador de Elefantes, pelo qual se apaixonaria.
Como toda criança imediatista, planeja fugir com o circo, integrando-se à "Trupe" e, quem sabe, casando-se com este "Príncipe".
Para ela, como "Paixão que dá e Passa", a fuga fica na fantasia, pois seu cotidiano muda rapidamente ao conhecer um novo mentor.
Lennie Dale coreógrafo e bailarino, americano erradicado no Brasil, transforma a menina Maria Cláudia de apenas sete anos em uma dançarina mais versátil, apresentando-a as coreografias do Jazz.
Pequena, porém extremamente talentosa, seu novo mentor a chamava de Lennie Dale de saias.
Ele a levou a vários ensaios do Musical "Dzi Croquetes", show psicodélico e revolucionário no formato burlesco com ares de modernidade.
Com uma técnica apurada e uma enorme vontade de crescer profissionalmente, Maria Cláudia Raia com treze anos fez parte do Ballet Stagium em São Paulo, ganha uma bolsa e parte para os Estados Unidos com o intuito de estudar dança, onde ficaria por um ano.
Em Nova York, capital do mundo e centro de referência em teatros que recebem os Musicais, a jovem se deleita ao assisti-los, enchendo de mais desejos o seu coração tão apaixonado por seu ideal.
Após assistir o musical A Chorus Line, o seu desejo transforma-se em determinação. "É isso que eu quero ser; uma estrela dos Musicais "..., então todos os seus esforços e dedicação traçarão novos rumos à sua carreira.
Maria Cláudia retornando a América do Sul foi para Buenos Aires na Argentina onde dançou como bailarina clássica no Teatro Colón e atuou simultaneamente como dançarina em um Show de Revista chamado Sexytante no Teatro El Nacional durante um ano.
De volta ao Rio de Janeiro, soube das audições para montagem brasileira do musical "A Chorus Line" que assistiu na Broadway.
Entre milhares de candidatos é a escolhida para o papel de Sheila Bryant, um dos mais marcantes personagens desta montagem, assim estreando em seu primeiro musical, que estará em destaque no setor dedicado as adaptações montadas no Brasil.

3º SETOR - A CAMALEOA CLAUDIA NO CINEMA E NA TV

A nossa protagonista transita entre os veículos de mídia constantemente, destacamos as atuações irrepreensíveis nos filmes Kuarup e Boca de Ouro.
Nas películas como na Televisão e no Teatro varia seus personagens entre cômicos e dramáticos mantendo sempre a expectativa na construção de um novo tipo.
Como não existiam, na época, muitas produções teatrais do gênero musical. O estar o mais próxima possível do publico e acalentar seus sonhos de grande estrela a fazia inserir-se mais e mais no meio artístico.
Sua atuação marcante no musical "A Chorus Line" chama a atenção de Jô Soares que assistiu ao espetáculo na época.
Ele se torna o grande padrinho profissional da jovem artista, descortinando uma quantidade de possibilidades de atuação em outros veículos de exposição como a Televisão acalentando os seus mais profundos desejos.
Foi chamada por Jô para atuar no quadro "Vamos Malhar" do programa humorístico, "Viva o Gordo" Fazendo uma sensual personagem que lembrava muito a do musical.
Sua primeira atuação em novelas foi em Roque Santeiro ao lado de Yoná Magalhães e Isis de Oliveira.
Em seus trinta anos de carreira atuou em vinte e uma novelas de TV e fez personagens marcantes transitando entre cômicos e dramáticos, vilãs e heroínas com a mesma desenvoltura.
Continuando com a televisão, fez parte de Séries como, a superprodução Mad Maria, Mini-Séries, Humorísticos, Especiais e incluindo um Programa Musical que levava o seu sobrenome.
Claudia Raia destaca quatro personagens que refletem bem sua versatilidade, são eles; Tancinha da novela "Sassaricando", Engraçadinha mini-série com o mesmo nome, de Nelson Rodrigues, Tonhão do humorístico "TV Pirata" e Donatela da novela "A Favorita".
Todas as formas de se expor em outras mídias só fazem dar mais credibilidade e prestígio a sua carreira, impulsionando mais ainda seu ideal de construir uma sólida imagem de Dama do Teatro Musical, que é a sua grande referência de vida profissional.

4º SETOR - NOVA ERA DOS MUSICAIS

Paralelamente aos seus trabalhos na TV e no Cinema, Claudia Raia continua atuando no teatro e mantém o foco na sua eterna paixão pelos musicais.
É importante ressaltar que, esse caso de amor dela por este gênero teatral e a persistência em investir nesse sonho a levou a tirar quase que do ostracismo os musicais no Brasil.
Ela participou de muitas produções internacionais adaptadas para o Português e algumas de autoria nacional. Ao todo, até o momento, fez parte de quinze.
As adaptações em destaque têm enorme fama no exterior. Começamos com A Chorus Line de 1984, que conta as estórias e agruras daqueles jovens até chegarem aquele momento das audições para a seleção do elenco para um novo musical.
Splish Splash de 1988 é a estória de um amor proibido entre um casal jovem ambientado em meados da década de 50 com jovens rebeldes em conflito com a sociedade convencional.
A polêmica produção A Pequena Loja Dos Horrores 1989, mostra a paixão de uma jovem por um excêntrico dono de uma loja que guarda uma planta carnívora gigante, faminta e ciumenta.
O Beijo Da Mulher Aranha de 2000, conta os conflitos de dois prisioneiros, um político e outro homossexual e um personagem fictício em forma de mulher que povoa a fantasia de ambos.
Sweet Charity 2006 apresenta uma protagonista pobre e azarada que não tem fé na vida até uma virada do destino em que conhece um sujeito bonito e abastado que se apaixona por ela. Apresenta-a ao seu mundo, mas, sem acreditar em tamanha sorte ela rejeita o seu amor por não achar-se merecedora de tanto.
Cabaret de 2011. A protagonista é uma artista em um cabaré de quinta categoria que sonha em ser uma grande artista. Envolve-se com um grande figurão da Alemanha nazista na época da segunda guerra mundial e tenta usá-lo como trampolim. Simultaneamente se apaixona por um jovem da resistência e revolucionário criando um conflito moral e sentimental.
Crazy For You de 2014 se passa em uma metrópole aonde chega uma jovem xucra vinda do interior e é apresentada a um mundo novo dos bastidores do teatro por um playboy da noite que vê nela um grande talento e a incentiva até fazê-la virar uma grande estrela dos palcos.
Ela protagonizou estes musicais entre outros, todos bem produzidos, bem cuidados e encenados, alguns com sua presença apenas como atriz e outros também contando com a sua veia produtora.
A conseqüência disso foi uma injeção de credibilidade no talento brasileiro. Assim aqueceu-se o mercado teatral para a vinda e ou criação de novos textos musicados para o gênero.

5º SETOR - CLAUDIA RAIA "MULHER SHOW"

Com muito suor e dedicação, a realidade superou em muito os seus maiores sonhos. Claudia intercalou os seus esforços entre musicais internacionais e produções autorais.
Criou Shows com o intuito de mostrar seu potencial e iluminando seu sobrenome nos letreiros dos teatros, todos com a aclamação da audiência e da critica.
Esse sucesso dá a possibilidade da criação de um dos musicais mais ousados na historia teatral brasileira.
O musical "De Pernas Pro Ar", seguindo a imaginação da agora autora Claudia Raia, cria uma pacata dona de casa que se vê em desespero quando suas pernas ganham vida própria e se rebelam contra sua dona e infernizam e influenciam as mudanças de rumo que tomarão a vida.
Esse enorme sucesso acaba viajando por todo o país se tornando um dos maiores recordes de público do mundo teatral.
Como produtora participa da montagem do musical "Chaplin" estrelado por Jarbas Homem de Mello.
Por fim "Raia 30 Anos" traz aos palcos uma coletânea dos personagens emblemáticos do teatro, cinema e televisão vividos pala versátil atriz.
Muitos musicais internacionais hoje recebem montagens nacionais e como os próprios detentores dos direitos constatam, nossas adaptações acabam sendo melhores que as originais.
Tudo isso se deve em grande parte à persistência e fé no Grande Sonho dessa Guerreira Claudia.
No maior de todos os palcos, o Sambódromo, nós da Escola de Samba Nenê de Vila Matilde seremos protagonistas, coristas, atores e múltiplos personagens nesse grande Musical do Samba. Homenagearemos Claudia Raia que voou nas asas da imaginação para brilhar e se tornar a "Rainha dos Musicais". E seus trinta anos de dedicação, paixão e amor a arte de dançar, cantar e representar como só uma grande estrela pode personificar.
Obrigado Claudia Raia por você existir no nosso Teatro Musical e nas nossas vidas.

Quinta, 23 Julho 2015 15:47

História Nenê de Vila Matilde

Escrito por

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Nenê de Vila Matilde é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo.

Foi fundada em 1949 por Seu Nenê, que foi presidente da escola por 47 anos, até passar o comando da entidade, em 1996, para seu filho, Alberto Alves da Silva Filho, em razão de alguns problemas de saúde. Mesmo assim continuou a desfilar em todos os anos seguintes. Seu Nenê faleceu em 20102 deixando vaga a lacuna de grande patriarca do Carnaval de São Paulo e recebendo de todos a admiração merecida por ter construído uma das maiores festas da cidade.

A Nenê possui onze títulos do Carnaval de São Paulo, entre eles dois tricampeonatos. Até 2000 ela foi a escola com mais títulos do carnaval da capital de São Paulo, fato este que corou a escola como "A Campeã do Século" . Em entrevista após o desfile de 2004, seu Nenê declarou que os dois maiores orgulhos que a escola lhe proporcionou foram o desfile na Marquês de Sapucaí no Rio em 1985 e a viagem a Portugal.3 A Nenê ainda tem orgulho de ser afilhada da Portela, escola do Rio de Janeiro, e ter protagonizado a primeira roda de samba televisada em 1970, quando a TV exibiu para todo o Brasil esse batizado. Também foi a primeira escola de samba a possuir uma quadra coberta, inaugurada em 1968.

A escola foi fundada por um grupo de sambistas que na década de 40 faziam rodas de samba no Largo do Peixe, no bairro da Vila Matilde, Zona Leste de São Paulo. No dia 1º de janeiro de 1949, ao tentar registrar e assinar a ata de fundação, as pessoas que viriam a ser os grandes baluartes da agremiação perceberam que tinham esquecido do mais importante: o nome da escola. Estavam todos muito nervosos com a situação, surgiram algumas ideias, como Unidos do Marapés e Primeiro de Janeiro, mas nenhuma delas agradou a todos. O homem que trabalhava no cartório peguntou quem era aquele negro alto que enquanto todos discutiam o nome da escola tocava o seu pandeiro tranquilamente. Responderam-lhe que era o Nenê. O funcionário então sugeriu que o nome da escola fosse Nenê de Vila Matilde.4 A Nenê já nasceu como escola de samba, ao contrário de algumas das outras grandes escolas de São Paulo, como Camisa e Vai-Vai, que foram fundadas como cordões. Nos anos 50 e 60, junto com outras escolas da época, como a Lavapés e a Unidos do Peruche, ajudou a criar a identidade do carnaval da cidade propiciando o crescimento dessa festa paulistana.

Como dizia o poeta…

Quem já passou por essa vida e não sofreu
pode ser mais, mas sabe menos do que eu,
porque a vida só se dá para quem se deu,
Somente quem sentiu uma paixão proibida, pode dizer que já viveu.
Posso estar enganado, mas para mim, esta é a explicação
para o fascínio que exerce nas pessoas os assuntos do coração.

Afinal, uma história que fala de sentimento torna-se muito mais atraente, quando há algum impedimento. Paixões não correspondidas motivaram guerras entre nações, na política, influenciou importantes decisões, nas artes então, foi um vasto horizonte para artistas de vários segmentos, que beberam desta fonte. Música, cinema, teatro e literatura abordam em maiores proporções sofridos casos de amores secretos, do que romances sem complicações. Permeado por desejo, romance com uma pitada de sedução mostro que nem mesmo as grandes personalidades estão imunes às intempéries do coração. Curiosa e altaneira, eu sou a águia guerreira! Representante do universo onde a ficção se encontra com a realidade contando em forma de enredo, a história das grandes paixões proibidas da humanidade.

Começo minha viagem com uma indagação… Até onde alguém pode chegar em nome de uma paixão? Diz a mitologia que Orfeu dedilhava sua lira somente para Eurídice, sua amada (era para ela cada nota tocada) Porém, o destino esse deus tão cruel, que com os nossos sonhos nunca se importa, fez Orfeu sentir-se jogado ao léu, ao ver sua bela Eurídice morta. Inconformado, não queria perder seu grande amor, para resgatar Eurídice, enfrentou os perigos do mundo inferior, com suas belas canções a todos comoveu e naquele mundo assim entrou.

Até o próprio Hades, ele convenceu a entregar-lhe de volta a quem tanto amou“Leve-a contigo e de meu reino saia, contudo não deves olhar para trás, pois caso a sua palavra traia, a bela Eurídice não verás mais. Orfeu conseguiu o seu intento, porém no retorno, quando os raios do sol já avistava teve um momento de distração, olhou para trás e ouviu o lamento era sua amada que dele para sempre se afastava. Ainda na Grécia, testemunhei o que para muitos pareceu uma ironia, a Deusa do amor, a mais bela do Olimpo, quem diria, entre tantos pretendentes, que sonhavam tê-la ao lado, viveu um intenso romance proibido com o deus da guerra, temido e respeitado.
Nos tempos bíblicos, vi o escolhido por Deus, um rei poderoso cair em tentação e cometer pecados em nome de um relacionamento amoroso.

Também presenciei um homem bom, com uma força descomunal ser enganado por sua amada, que era de um povo rival. Sedutora, descobriu que nos cabelos estava a fonte de seu poder, na calada da noite cortou suas madeixas e entregou-lhe para prisão, foi o fim de um amor intenso, porém manchado pela traição. O tempo passou, o mundo se modernizou, surgindo novos reinos e nações e com eles, casos de personalidades da história que não resistiram as tentações de desfrutarem calorosos relacionamentos proibidos, recheados de poder e sedução.

Por isso, chego a França medieval, centro da elite e da nobreza, onde os amantes ganharam status de realeza, onde um general que entrou para a história por sua bravura sem igual, perdeu o grande amor de sua vida, devido a diferença social, pois na época era um simples soldado e ela representava uma família tradicional.
Seguindo as trilhas das grandes paixões proibidas, relato momentos épicos da história que de tão espetaculares ficarão para sempre na memória, como a guerra de Tróia, que embora foi creditada a uma disputa de terra e expansão, seus reais motivos estão ligados a assuntos do coração. Bela, sedutora, com uma personalidade forte que a transformou num mito, esta foi Cleópatra, a mais famosa das rainhas do Egito, que viveu com o Imperador Romano Marco Antônio, um romance intenso e conturbado.

Proibido em sua essência, pois cada um defendia o seu lado, para satisfazer os desejos de sua amada, o imperador viu sua imagem ser arranhada, pois a ambição de Cleópatra não tinha limites, era desenfreada. Não demorou para perder o controle e ver o inimigo chegar ao poder, foi o fim não só de um império, mas também de uma relação que misturou paixão, poder, ganância e traição. Após uma longa viagem pelo mundo, retorno ao meu Brasil amado terra onde grandes e calorosas paixões proibidas surgiram de todo lado. De membros da alta corte a empresários, de artistas até revolucionários, escravo, escritor, ou, seja lá quem for, ninguém escapou das artimanhas do amor.

De Santa Catarina, trago a história de uma menina que deixou uma vida segura em nome de uma paixão viveu as margens da lei com seu amado, sonhando com a revolução. De São Paulo dos anos 20, que respirava o modernismo por toda parte, trago um caso de amor proibido que escandalizou o mundo da arte. Se ter uma relação secreta é difícil, imagina em tempos de repressão? Por isso, rendo homenagem a um casal de comunistas que lutou contra a opressão. No Rio de Janeiro, então capital federal por muito tempo falou-se de um caso extraconjugal vivido pela esposa de um importante escritor com um rapaz muito mais jovem que tornou-se seu novo amor.
Das Minas Gerais, terra do diamante falo de um contratador que fez de uma escrava sua amante mostrando do seu jeito, que um amor verdadeiro vence o preconceito.
Foi um caso de amor a primeira vista aquele vivido entre a filha de um fazendeiro escravocrata e o maior líder abolicionista. Se perguntarem qual a mais famosa história de paixão proibida do país, falo sem mistério, foi uma que se passou na época do império envolvendo Dom Pedro l e a Marquesa de Santos, sua amante.

Apesar da marquesa ser o grande amor da sua vida, era menos importante do que assuntos da corte e a aliança com outros representantes da nobreza. Mais isso pouco importa, pois ficou a certeza que este romance que a história perpetuou foi eterno enquanto durou. Vi um conto virar livro, um livro virar musical de respeito falando de um amor inesperado que venceu a aparência física e o preconceito. Me emocionei com a paixão entre uma escrava etíope e um general que se transformou numa ópera tão grandiosa quanto o sentimento que movia o casal. Com uma pintura sem igual, mostro um gênio homenageando sua amante, tornando o relacionamento proibido e imortal. Pecado e razão muitas vezes andam juntos, colocando uma nuvem sobre a certeza no clássico da literatura nacional, uma recatada senhora baiana, expôs sua fraqueza dividida entre o amor imaginário e real, optou pelos dois, sem ligar para o pudor e a moral.

Vi um cavaleiro errante criar um universo de imaginação onde vencia poderosos inimigos, somente para proteger a dona do seu coração. Por ironia do destino, nunca ficaram juntos quando a história terminava, a esperança de um final feliz, renascia a cada aventura que se iniciava. Ouvi com atenção, uma música, que de tão intensa, foi parar na tela de cinema tendo Brasília como cenário e uma paixão conturbada como tema. Conheci uma grande cantora que pela diferença de idade, não assumiu o seu parceiro temendo ser vítima do preconceito, escondeu por quatro décadas um amor puro e verdadeiro Falo de um irresistível conto de amor inúmeras vezes escrito e encenado que mostra um casal que após tomar uma poção mágica, fica apaixonado escandalizando a corte inglesa, pois ele era um simples cavaleiro e ela uma princesa.
Entre tantos casos de amores proibidos retratados em forma de arte“Romeu e Julieta”, tornou-se popular, conhecido em toda a parte graças a uma história carregada de emoção, onde a rivalidade entre famílias tentou sufocar a paixão.

Em nome desse amor, com suas vidas pagaram, porém, terminaram juntos, como sempre sonharam. Encontrei casos de amores proibidos até na religião. Onde a senhora dos ventos e das tempestades, foi surpreendida por uma forte paixão. Trago do sertão nordestino, a história de uma mulher que mudou o seu destino que uma vida tranquila deixou de lado, para viver no cangaço junto de seu amado. Lendas, crendices, “causos” que surgiram do imaginário popular, quem quiser saber sobre amores impossíveis, nosso folclore tem história para contar. De botos e sereias sedutoras, a índios que pedem ajuda celestial Tem em comum, algum impedimento atrapalhando seu final. Vi um amor proibido dar origem a uma rivalidade em Parintins, um desafio entre donos de bois, mudou a vida da cidade e até hoje os mais antigos se lembram do que aconteceu:“Capriche no seu boi, que eu garanto o meu!”

Termino minha viagem no mundo onde nasci e fui criado pois eu sou de Vila Matilde, onde para o samba fui apresentado foi um amor a primeira vista, que dominou meu coração um sentimento tão forte, que venceu a repressão. Quer proibir minha paixão… Que tolos, podem tentar! Pois o amor pela minha escola venceu o preconceito e está longe de acabar.

Falo isso com a moral de quem há 65 anos respira carnaval, uma festa popular regada a confete e serpentina, onde o Pierrot apaixonado sonha com o amor da Colombina contemplando a lua, esperando o desfecho que sempre quis… Mesmo proibido, ter um final feliz!

Quinta, 01 Janeiro 2009 11:55

2009 - 60 anos. Coração guerreiro!

Escrito por

Carnavalesco: André Machado

A imigração Síria para as Américas teve e continua tendo um caráter individual. Para o Brasil, ela começou em 1860, em pequena escala, e só aumentou depois da visita do Imperador do Brasil à Terra Santa e do convite que ele fez aos árabes para emigrarem para este país. A porta de entrada foi o Porto de Santos, partindo para o interior e maciçamente para São Paulo onde predominaram a região da Rua 25 de Março trabalhando como mascates, progredindo e abrindo lojas de grande porte e pequenas industrias, mas tudo com muito sacrifício. Aqui foram constituídas famílias que fazem parte da história da própria cidade, influenciando no comércio e principalmente na cultura.

Em Monte Azul no interior de São Paulo, dia 22 de julho de 1919 nascia numa terça-feira João Jorge Saad, “Seo João”. Era assim que o fundador do Grupo Bandeirantes de Comunicação era carinhosamente tratado por todos. Descendente de imigrantes sírios, era apaixonado pelo Brasil, que percorreu de norte a sul quando ainda era caixeiro viajante. Um herdeiro da cultura Síria por parte de pai – já que sua mãe Raquel Amate Saad era brasileira – e que veio ainda pequeno para a capital paulista para estudar. Tradicionalmente começou a trabalhar com o pai Jorge João Saad em uma loja de atacado (Comércio de Tecidos) na esquina Rua 25 de Março com a Ladeira Porto Geral, onde aprendeu de forma natural a negociar, se relacionar e, com intuição, a compreender os anseios e necessidade de cada cliente, tornando-se mais tarde representante da loja.

O tempo passou e no inverno de 1947 casou-se com Maria Helena de Barros, filha do então Governador Adhemar de Barros e com ela teve os filhos: Maria Leonor, João Carlos, Ricardo, Marisa e Márcia. Em 1948 assume a Rádio Bandeirantes que era de propriedade do sogro até então. O mergulho no mundo da Comunicação ocorreu por acaso, em 1937, para ajudar o sogro Adhemar de Barros na administração da Rádio Bandeirantes. Na década de 40 assume o controle da Rádio, e foi aí que descobriu sua vocação maior, inovando, investindo e prestando serviço à comunidade. Inicia-se aqui uma história de muito sucesso no ramo das comunicações. Quando lhe perguntavam como, sem ser do ramo, havia criado uma rede tão grande e avançada, João Saad respondia: “Ela estava lá, escondida. Não fiz nada demais. Apenas fui eliminando as arestas, o supérfluo e ela foi aflorando, aparecendo. Somos uma empresa totalmente brasileira consciente da responsabilidade social e política que temos, preocupada em cumprir o compromisso de defender a livre iniciativa e as instituições, de promover o desenvolvimento econômico, de defender intransigentemente a democracia, de incentivar a educação, com suficiente coragem para atacar os que ousam ofender os interesses da coletividade”.

A carreira empresarial de João Saad, no entanto, não ficou limitada ao ramo das comunicações. A cidade de São Paulo crescia e novos bairros começavam a surgir. Atento ao mercado imobiliário, ele começou a incorporar grandes áreas de terrenos. Nasceram assim, entre outros, os bairros Cidade Adhemar e Jardim Leonor, uma homenagem aos pais de sua mulher.

Comércio, comunicações, investimentos nos setores imobiliário e agropecuário resultaram numa profunda ligação de João Saad com São Paulo. Apaixonado pela cidade, tornou-se cidadão paulistano e aceitou o desafio de presidir a Companhia Municipal de Transportes Urbanos, a CMTC. Reformulou o transporte da cidade, recuperou ônibus, criou linhas e reduziu o tempo dos percursos.

A “Sociedade Bandeirante de rádio-difusão (PRH-9) nasceu no dia 6 de maio de 1937 numa quinta feira, sob o entusiasmo de José Nicolini que tinha o sonho de “lançar aos ares de Piratininga as ondas sonoras de programas finamente escolhidos”, a inauguração ocorreu na Rua São Bento - 365, onde 180 convidados da mais fina flor da elite paulistana se prorrompem em aplausos no instante que se abriram as cortinas do vistoso palco ornamentado para a inauguração. Toda pompa da programação de certa forma erudita de inicio foi substituída por uma mais popular. E nessa onda o jornalista Vicente Leporace em 1943 dá o nome a um conjunto vocal nascido na Mooca, símbolo da cidade – Os Demônios da Garoa.

Na metade dos anos quarenta a Rádio passou a fazer parte das Emissoras Unidas do Dr. Paulo Machado de Carvalho que a vendeu ao governador Adhemar de Barros e este mais tarde a transferiu para o genro. Da Rua São Bento, a emissora foi transferida em seguida para a Rua Libero Badaró, e depois, para a Rua Paula Souza, onde permaneceu até 1965.

Nesta época foram feitos muitos investimentos em equipamentos modernos, novos profissionais foram contratados. Em 1955, lançou o modelo de radiojornalismo ao vivo durante 24 horas, e logo após, apostou em esportes para diferenciar a rádio das demais. A escolha realmente fez a diferença, e com a transmissão em 1958 da Copa do Mundo da Suécia, com som potente, mais forte do que suas concorrentes, com a equipe esportiva que tinha Pedro Luiz, Edson Leite e Mário Morais, a rádio alcançou a audiência de 90% dos aparelhos ligados, marca jamais atingida por qualquer outra emissora. Era o sucesso da Cadeia Verde-Amarela Norte-Sul do (rede que retransmitia as Jornadas Esportivas).

A década de 60 é dominada pelas informações que chegavam pelo rádio. E o jornalismo teve seu maior representante sob a égide dos “Titulares da noticia”, equipe chefia da por Alexandre Kadunc, que inovou com o “Primeira Hora”, jornal-falado e transmitido simultaneamente para o Rio de Janeiro e São Paulo. Na área artística sob a direção de Clodoaldo José Machado os programas que se destacaram foram: “Telefone Pedindo Bis”, “Vitrola Mágica”, “Mil Discos é Limite”, “Os Brotos Comandam”, “Qual é a Musica” e o “Programa Moraes Sarmento” do radialista campineiro Rubens Moraes Sarmento que presidia a Liga das Escolas de Samba, quando o Prefeito José Vicente Faria Lima oficializou o carnaval de São Paulo em 1967. Além do programa com seu nome, que era apresentado à noite e dava eco na cidade, Sarmento durante muitos anos apresentou ao meio dia o “ALMOÇO À BRASILEIRA”, sempre radical defensor da música brasileira. Nesta época, a Rádio Bandeirantes iniciou as transmissões ai vivo dos Desfiles de Carnaval das Escolas de Samba de São Paulo.

Em 1963 – o programa de rádio “O TRABUCO” – com Vicente Leporace, era um dos sucessos da emissora, campeão de audiência das 8 horas da manhã durante 15 anos até 1978, quando do falecimento do grande jornalista. O programa foi substituído pelo atual, Jornal da Bandeirantes Gente, com Salomão Esper e José Paulo de Andrade, entrou no ar em 18 de abril de 1978, seguindo até hoje com grande audiência. Nos esporte surge Fiori Gigliotti, o “locutor da torcida brasileira”. A renovação do esporte tem o programa o “Scratch do Rádio”, equipe esportiva que tinha nomes como Flávio Araújo, Mauro Pinheiro, Ennio Rodrigues, Luiz Aguiar, Ethel Rodrigues, Luiz Augusto Maltoni, Roberto Silva, o repórter “Olho Vivo”, Alexandre Santos (voz marcante no Plantão Esportivo). Programas esportivos da época: “Bola ao Ar”, “Bandeirantes nos Esportes” e “A Marcha do Esporte”.

A Rádio era um grande sucesso em todos os seguimentos, atingia diferentes camadas da sociedade e o jornalismo era seu forte, tanto que não demorou em se firmar como uma das principais emissoras do país, Estava então, convencido de que a informação seria o mais importante vetor do futuro. Como resultado do projeto de expansão de João Jorge Saad na área de comunicação no final dos anos 60 veio a TV que seguiu a mesma linha da Rádio, destacando-se também pelo jornalismo.

Desde de 1954, Saad sonhava em criar uma emissora de TV, pois instintivamente profetizava que o veículo que chegava ao Brasil em 1950, se tornaria mais tarde essencial à sociedade. Então, foram feitas inúmeras viagens ao exterior para pesquisar o que tinha de mais moderno nos Estados Unidos e Europa. E 1961 foram iniciadas as obras do Edifício Radiantes no Morumbi – Um prédio construído para abrigar a mais moderna televisão da América Latina.

Em 13 de Maio de 1967 o sonho se tornava realidade, o canal 13 entrava no ar. Um discurso de João Saad, seguido de show dos cantores Agostinho dos Santos e Claudia, abriram as transmissões. Na solenidade estavam o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito Faria Lima, ministros e secretários de estados e a nata da sociedade paulistana. Em frente à emissora foi montado um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo.

Com as mesmas características da Rádio traçou-se o perfil da emissora de TV que tinha que ser a melhor, mas não tão clássica, pois o povo pedia algo mais simples. O canal entrou no ar sem intervalos, e a separação das atrações se deu com a exibição do “Coelho Bandeirante”, uma espécie de mascote da nova emissora. Na segunda-feira posterior à inauguração entrava no ar “Os Miseráveis”, uma novela de Walter Negrão e Chico Assis baseada no homônimo de Victor Hugo. Dirigida por Walter Avancini, a trama inovou ao exibir capítulos diários de 45 minutos de duração. A vocação jornalística no canal se deu de imediato, com a estréia em 1969 do filhote do “Titulares da Notícia”, programa que herdou o nome do mesmo que fazia sucesso na Rádio. Apresentado por jornalistas de peso como Maurício Loureiro Gama (primeiro apresentador de telejornal da América Latina), Vicente Leporace, Salomão Esper, Murilo Antunes Alves, Julio Lerner, Lourdes Rocha e depois José Carlos de Andrade. Mas não foi só a área jornalística que marcou a primeira fase da TV Bandeirantes, outros seguimentos tiveram destaque: “Ari Toledo Show”; “Leporace Show”, com Vicente Leporace; “Claudia Querida”, com a cantora; “I Love Lúcio”, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; e “Além, Muito Além do Além”, teatro de terror com o Zé do Caixão.

Após dois anos de existência da emissora acontece o inesperado, um incêndio de grandes proporções atinge na manhã do dia 16 de julho de 1969 – exatamente no dia em que o homem chegava a lua – o moderno edifício no Morumbi e o reduz a uma montanha de cinzas. Foram perdidos 30% do arquivo de filmes e capítulos inéditos da novela “O Bolha”.

Entretanto, João Saad não baixou a cabeça e no pátio em meio a fumaça e gente chorando demonstrou sua força, sentindo-se desafiado pelo destino: “Vamos reconstruir tudo, nossa fé é inabalável. Com base apenas no conceito e no crédito, que formam o patrimônio que o fogo não destrói, recomeçamos. Renascemos das cinzas”. E a TV mesmo operando de forma reduzida renasceu mais forte do que nunca ao adquirir aparelho de ultima geração, saindo na frente inclusive, até no domínio das cores.

Em 1972, 12ª Festa da Uva, em Caxias do Sul, se tornou um marco na história da televisão brasileira sendo feito o primeiro teste oficial da transmissão em cores, via Embratel, para todo o país. Televisores em cores eram sintonizados na emissora para desfrute da novidade. E no embalo, escolheu-se outro símbolo que fosse a altura do avanço tecnológico e a figura de um pavão multicolorido passou a ser usado como símbolo pela emissora, que com a inauguração do Teatro Bandeirantes, em São Paulo, também apostava em show e musicais com a nata da MPB, com o slogan a “Imagem Colorida no Ar.”

A TV foi crescendo e João Jorge Saad foi adquirindo novas emissoras em outros estados dando inicio ao seu sistema de Rede, primeiro foi TV Vila Rica de Belo Horizonte e depois TV Guanabara no Rio de Janeiro. Na estréia foi transmitido o especial “Meus Caros Amigos”, de Chico Buarque, e um filme inédito na TV: “Lawrence da Arábia”.

Em 1980, já eram 24 emissoras espalhadas pelo país. E dois anos depois a primeira empresa comercial nas Américas a operar uma Rede de Televisão por satélite.

Grandes transformações ocorreram entre as décadas de 70 e 80 e nomes importantes faziam parte da grade de programação: Alberto de Nóbrega, Hebe Camargo, Chacrinha, Bolinha, Flavio Cavalcante, Jota Silvestre e Moacir Franco. Também exibia programas infantis como “TV Tutti Frutti”, “TV Criança”, “Fofão” e “ZYB-Bom”. No Jornalismo, o “Canal Livre”, ousou abrindo espaços para artistas, políticos e escritores numa época em que a palavra liberdade não era usada na sua plenitude. Marilia Gabriela, Fausto Silva, Ronald Golias, Amaury Jr e Silvia Poppovic foram outros artistas que brilharam na programação. Os debates políticos promovidos pela Band nas eleições se transformaram numa tradição que completa agora 22 anos. Pioneira, a emissora saiu na frente na realização dos encontros, que mostram ao eleitor os candidatos sem “maquiagem” e por isso mesmo, muitas vezes definem a disputa, o slogan da emissora: “Estamos escrevendo a história contemporânea do Brasil”.

A tradição jornalística da Band está calcada na credibilidade e independência, dois pilares dos quais não abre mão. Ao longo de sua história, há vários episódios que comprovam essa postura. Em 84, a Band mostrava os comícios das Diretas-já, quando isso significava ameaça de corte de sinal e cassação de concessão. Em 92, foi a única Rede que entrou desde o começo na CPI do caso Collor, quando isso significava ficar de fora das campanhas publicitárias do Governo Federal. A partir de 1983, a emissora começou a investir pesado no ramo do esporte, com a estréia do “Show do Esporte”, e esta tradição veio mesmo de 1970, quando a emissora participou da transmissão da Copa do Mundo se consolidando neste seguimento.

Em 1996, inaugura a Torre de Transmissão, com 212 metros construídos em ferro e aço, a maior da América Latina. Situada na rua Minas Gerais, região da avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, a torre entrou em operação, concretizando mais um sonho de João Jorge Saad. “Estamos entregando um monumento à cidade”, comemorou o fundador do Grupo Bandeirantes na cerimônia de inauguração. E ele não exagerou: instalada no ponto mais alto da capital, a bela torre passou a fazer parte da paisagem da metrópole e retribui o privilégio de compor a cena paulistana: dois elevadores panorâmicos propiciam ao visitante uma das mais belas vistas da cidade.

A emissora, que nos últimos anos mudou seu foco para conquistar nova parcela de telespectadores, principalmente o público feminino, tornou-se mais eclética, mas nem por isso está menos atenta aos grandes eventos esportivos, está apenas popular, como sempre quis João Jorge Saad. Os destaques da programação atual são os apresentadores Gilberto Barros, Datena, Raul Gil, Otávio Mesquita, entre outros, e programas para a família, femininos, jornalísticos, filmes, canais de notícias, rurais, e esportivos. Prazer em Ver televisão.

A Família Saad, mantém o pioneirismo e determinação de seu fundador, à frente da administração da Emissora de Rádio e TV, os herdeiros buscam o fortalecimento do Grupo através do arrojo, da inovação tecnológica, e de uma operação empresarial limpa, transparente, defendendo a livre iniciativa. Esta política de atuação resultou em um conglomerado com duas Redes de Televisão Aberta, três Canais de Televisão por Assinatura, Seis Redes de Rádios – formando assim o maior grupo de rádios do país, Um Jornal de Classificados, Uma Distribuidora de Sinal e Conteúdo a Cabo, Um Selo Musical, e a Maior Plataforma de Interatividade do País.

Influenciando o Futuro das Comunicações, e honrando a tradição de sua trajetória, O Grupo Bandeirantes é um dos precursores na Pesquisa sobre a Televisão Digital, que será a próxima revolução nos meios de comunicação. Além disso, são os maiores defensores da produção de programação e conteúdos 100% brasileiros na televisão aberta e fechada do país.

O grupo Bandeirantes, que começou com a Rádio, completa em 2007, setenta anos de história, história esta que se confunde com a de São Paulo, pois sempre foi os olhos desta, e alinhada com seus objetivos de veículo de comunicação sério e comprometido com a verdade, sempre perseverou pela luta, superação, verdade e idoneidade dos fatos. Grande parte desse legado se deve ao homem que viveu desta forma e que ensinou a todos que os cercaram a serem “Radiantes” como ele sempre foi!

Ao deparamos com uma história tão significativa para o ramo da comunicação e sendo a Escola Samba também um meio de difusão, fica evidente o caráter oportuno desta homenagem.

A Águia Azul e Branca, se sente Honrada e Radiante, com essa homenagem ao Pioneiro das Comunicações – João Jorge Saad – 70 Anos de Conquistas e Realizações!!!!

Bahia no Século XVI – O Encontro das Raças

Começaremos com chegada dos conquistadores portugueses no novo mundo; a primeira missa e a sua assistência pelos nativos; o mito caramuru e sua integração com os índios, inclusive com Paraguaçu, futura Catherine do Brasil sua esposa; falaremos de Martim Afonso e a princesa expedição colonizadora; a fundação de salvador(primeira capital do Brasil) por tome de Souza; e finalmente, o inicio do trafico de escravos com o aparecimento dos primeiros engenhos de cana de açúcar.

Prelúdio do legado baiano

Quando não raptados para venda e troca ou em guerras ancestrais, os negros viviam seu legado na áfrica. Enquanto isso, num dia qualquer do século XVI, um português naufragava na Bahia de todos os santos, lugar dos homens nus avermelhados apreciadores de carne humana.

Diogo Álvares seria banquete de índio se não fosse esperto: usou a imaginação e com seu mosquete atirou para o alto acertando uma ave, ensinando o que era medo aos nativos antropófagos – Nascia o mito caramuru, o filho do trovão, o pai do fogo e da morte – que assustados trouxeram –lhe mimos e Paraguaçu, a filha do cacique.Caramuru virou genro do rei e sócio das riquezas da terra, Paraguaçu ao contemplar a Europa virou Catherine du bresil.

Para o novo mundo veio também o fogo da cobiça alimentado pela madeira (pau – Brasil) que lhe conferiu o nome. Para cometer as investidas francesas, ao longo da costa brasileira a coroa portuguesa enviou uma poderosa expedição para colonizar. Martim Afonso, amigo do rei Dom João III foi escolhido para promover a lei e a ordem, por fim, trouxe a devastação das matas, a escravização indígena e a infâmia inominável do trafico negreiro, agregados no longo e rendoso reinado da cana.

Para centralizar o poder, construir uma fortaleza, visitar e proteger as demais capitanias, redistribuir terras, regulamentar a relação entre colonos e nativos e incentivaram excursões ao interior, foi mandado o fidalgo Tome de Souza . Logo se faz uma vila – o embrião de Salvador - , em seguida , a princesa capital do Brasil.

Com o governador-geral vieram também os primeiros jesuítas, chefiados pelo padre Manuel de Nóbrega; para o alivio dos índios e desespero dos bantos. E os negros?Na Bahia desembarcaram do ventre da besta e mesmo os que eram nobres, como mercadorias foram vendidos, trocados – um instrumento de trabalho – , reduzidos a condição de coisa, e eles plantaram e moeram cana, derrubaram matas e semearam mudas; foram as mãos e os pés dos senhores de engenho.

BAHIA NO SECULO XVII

No século xvii se fará um panorama geral do barroso baiano através de suas igrejas,arquitetura , pelourinho, pontuando com as figuras de padre Antonio Vieira e Gregório de Mattos, e mais a presença dos holandeses na Bahia, dos primeiros quilombos e conexão com palmares.

O ciclo da cana gera a cultura afro barroca

A colônia lusitana sob o reinado espanhol (Felipe II e III), alavancou sua posição no jogo das trocas comerciais, inclusive, através do suplicio dos navios tumbeiros, integrando se a trama do império atlântico. No século XVII, encerrado o ciclo do guine, começa o ciclo de angola, durante o qual cerca de seiscentos mil escravos foram trazidos para o Brasil. E se a mandioca destacava se na economia de subsistência da colônia em virtude das dificuldades de importação de alimentos da Europa, nessa época, o fumo passou a servir de escambo na áfrica, trazendo para o Brasil a mercadoria que foi o fundamento econômico e o eixo de todo o sistema do trabalho da promissória e aristocrática sociedade do açúcar.

A mestiçagem já era uma realidade na colônia, formando na cidade da Bahia o que podemos chamar de cultura afro barroca, restolhado da necessidade de uma releitura do barroco lusitano a realidade tropical gerando produtos originais, como na expansão da antropologia de padre Antonio Vieira e nas criações da sátira popular de Gregório de Mattos, o boca do inferno, tudo isso, misturado ao africano , que mesmo experimentando a agruras dos navios da danação e torturas da escravidão, soube abastecer as plantações e os engenhos, depois as minas e as mesas, a casa e a cama dos senhores, com sua riqueza e densidade cultural.

Na Bahia se formou uma civilização dom hábitos e tradições que foram primordiais para a formação social do mundo lusitano em brasilidade – com a ajuda inconsciente do negro. Então, tudo o que foi erigido modestamente ainda no século xvi foi, através da exploração da mão de obra escrava, que adquiriu formas arquitetônicas mais bostas, principalmente na área no pelourinho, nos séculos subseqüentes, aparadas pelo lucrativo ciclo da cana de açúcar e depois pelo ciclo do fumo. Paradoxalmente, neste mesmo cenário, os negros transitavam conduzindo sinhás em cadeirinhas luxuosas, quando não, estavam sendo acoitados no objetivo que também deu nome ao lugar.

A Espanha e Holanda se estranharam no inicio do século xvii, por causa dos engenhos de açúcar do nordeste. E os batavos para prejudicar os interesses comerciais da Espanha na América e na áfrica fundaram, em 1621, a companhia das índias ocidentais.

Velas holandesas portam na Bahia para recuperar o que haviam perdido e o bombardeio, ocorre em 9 de maio de 1624. A população em pânico foge, deixando a cidade deserta, facilitando também a fuga de muitos escravos, pois os senhores não podiam se prestar a sair na captura dos negros fujões. Logo, podemos acreditar na possibilidade de que foi mais ou menos neste período que , se não surgiram os primeiros quilombos, no mínimo, fortaleceu a migração para os que já existiram. (um dos mais conhecidos na Bahia foi o quilombo do buraco do tatu) e através da organização característica destes redutos, provavelmente foram feitas conexões, ate mesmo, com o maior deles – palmares- situado na serra da barriga.

Bahia no século XVIII

No século xviii, mostraremos a chegada dos povos sudaneses, a implantação do candomblé da alaketu , a imposição religiosa e o sincretismo, fechando com a conspiração do búzios (alfaiates).

A sobrevivência da herança africana

Já no alvorecer do século xviii, a rota escravista se acentua na costa do ouro, após a Bahia deter o monopólio do fumo, mercadoria bastante apreciada naquela região africana, tornado se assim o principal destino dos povos jeje e nagô ioruba, e também , dos maometanos de cultura islâmica, dos quais, os haussas se destacam. Altos e fortes eram possuidores de um apurado espírito de liberdade, promovendo sempre , revoltas de escravos contra senhores – outra contribuição do negro a genética do povo baiano –, que pode muito bem esta por trás do sentimento que fez reunir em 1798, a burguesia liberal com a plebe , com a massa, com os homens de cor e escravos, gente pobre e deserda, para reagir revolucionariamente contra a escravidão e a desigualdade social- movimento conhecido como conjuração baiana.

Para sobreviver das lamurias da escravidão os negros se prenderam a sua herança religiosa. Então, inicia se o candomblé na Bahia com chegada dos primeiros negros oriundos principalmente do Sudão. A palavra candomblé vem da expressão kandom be lê(segundo a professora yeda de pessoa de castro que foi diretora do centro de estudos afro – orientais da Bahia) de origem banto que significa pedir a intercessão dos deuses.

Contudo, a sua disseminação deve-se principalmente ao grande contingente de negros nagôs e iorubas e a hegemonia ritualística desses povos , movida pela resistência incontestável constituída na nação do keto , resultando na casa de santo mais antiga da Bahia, a do candomblé de alaketu.

Eis que surge o mito das mães de santo depositarias dos axés. Sacrifícios de animais e oferendas de alimentos são feitos aos deuses durante as cerimônias privadas. Os deuses

são invocados e chamados a voltar a terra pelas canções, durante danças simbólicas execu

tadas pelas filhas e filhos de santo, no corpo dos quais se encarnam os diversos orixás. Cada iaô e possuída somente pelo orixá ao qual e consagrado, quando da sua

iniciação.

O africano, mesmo impedido, conseguiu driblar a imposição religiosa dos seus opressores e perpetuar o seu culto mesmo tendo este que sofrer adaptações convenientes, seja pela dissolução lingüística e litúrgica, resultado da mescla de povos, seja pela associação dos orixás (deuses negros) aos santos católicos. Mesmo assim, tais ajustes foram incapazes de quebrar a corrente que originou a religião africana mais difundida no Brasil.

Bahia no século XIX

Mostraremos a importância do dia 2 de julho no calendário baiano e a figura do caboclo como ícone representativo da luta pela liberdade; a revolta dos m,ales, implantação do culto de xangô, guerra dos canudos, culminando com a opera negra – lídia de oxum ambientada no recôncavo baiano.

A liberdade no dna do povo baiano

O Brasil se viu livre de Portugal.Pela voz de dom Pedro i , entretanto, o único pais independente da América do sul ainda se baseava no trabalho escravo. A sociedade ainda se caracterizava pela discriminação racial e as desigualdades econômicas extremas. Tal contra senso resultou em conflitos entre portugueses e brasileiros na Bahia e já na semana seguinte ao grito do Ipiranga, iniciou se confrontos que se prolongaram por quase um ano - a guerra da independência.

O conflito terminou no dia 2 de julho de 1823, quando forcas brasileiras enfim foram capazes de expulsar os portugueses. Tal levante tornou-se a data cívica mais comemorada em toda Bahia – suplantando o sete de setembro. Nasce aqui a figura do caboclo, que no imaginário popular representa o nativo do pais; símbolo de patriotismo contra o dragão portugues; venerado pelo povo cuja maioria e de negro; forte, puro e bondoso, foi elevado a condição de santo ao ser envolvido no culto africano, dando origem ao candomblé de caboclo.

Neste universo de conflitos que permeou a Bahia no século xix estavam negros haussas, possuidores de um apurado espírito de liberdade, que pouco se conformava com os desmandos dos seus senhores (mitos se tornaram escravos de ganho)e , sempre promovendo revoltas, protagonizaram uma rebelião de caráter racial, contra a escravidão e a importância da religião católica, movimento que ficou conhecido com a revolta dos males. Apesar de tudo, o sincretismo já era uma realidade, o catolicismo já se misturava aos cultos africanos, tanto e que pode ser visto como exemplo, o oxe (machado duplo) de xangô plantado sobre a imagem de são jerônimo.

Xangô foi o orixá que os negros transportaram para o Brasil e que passou a designar o local das cerimônias ritualísticas tal seu apego. E isso se deve entre outras coisas, pelo fato de que antes de seu santo, xangô e a personagem central de vários mitos heróicos dos iorubanos.seu culto curiosamente ultrapassou, em importância, o de outros santos, talves pelo temor e mistério que rodeia este orixá.; sem duvida, sua ação sobre o raio, pelo seu efeito destruidor como pelo resplendor que o acompanha e o ruído que se segue, estrondoso nas régioes intertropicais, fez estender seu culto em habitat brasileiro.

Falar de liberdade sem citar canudos abre-se uma lacuna na historia. A sangrenta batalha que reuniu jagunços (na maioria mestiços) no interior da Bahia para lutar revoltosos contra a miséria e a fome que assolava o sertao baiano no final do século. O desfecho da guerra foi a destruição de canudos pelas forcas policiais. E Antonio conselheiro líder dos sertanejos se tornou praticamente uma especie de santo nordestino. E ainda hoje a fé popular o reverencia, com um fervor raramente igualado. Canudos se transformou numa espécie de símbolo de resistência, adquirindo uma dimensão mitológica no imaginário do baiana e do povo brasileiro.

Lídia de oxum

No final do século xix chega na Bahia, lourenço de aragão, o filho de um poderoso barão de cana de açúcar, que foi estudar direito em Coimbra e voltou contaminado com idéias libertarias do final do século. Ele chega também no auge de uma rebelião de escravos, conhece lídia de oxum e se apaixona pela bela mestiça, a filha de bonfim, chefe dos negros, amada pelo negro tomas de ogum, um líder revolucionário. Na historia, o triangulo amoroso e apenas e pano fundo para os anseios e ideais de liberdade que a raça negra (população majoritária) sempre almejou e a sua concretização so aconteceu, se e que realmente aconteceu, quando no momento d levante final entre os negros e brancos veio a noticia de que a princesa isabel havia assinado a lei áurea proclamando a abolição da escravatura o que teria colocado um ponto final no final no impasse. A busca pela igualdade racial que a obra retrata com propriedade, parece ter delineado o mapa do dna do povo baiano que durante os anos conviveu com o amor entre as diferenças e acabou tendo um papel fundamento na formação das cores, tons e matizes de nossa aquarela.

A Bahia atual

Mostraremos o resultado do legado africano e sua influencia na cultura baiana que se tornou sinônimo de brasilidade.

Mãe de todos

Como seria a Bahia sem o legado da cultura africana? Talvez não se comeria o que se come hoje, não rezaria o que se reza e como se reza, não teria o gingado na dança o colorido no arte, tão pouco, a forca na musica não fosse a riquíssima herança cultural trazida pelos milhares de escravos vindos da áfrica, sobreviventes do ventre da besta – o porão dos navios negreiros. E mesmo que no inicio tenha havido apenas uma adaptação dos padrões de comportamento do negros a condições de vida a que foram submetidos, na Bahia, parece que os demais povos e que se viram na contingência de absorver e adotar inúmeras tradições africanas.

O jeito de pensar e agir do africano traçou com pinceladas sutis e definitivas a maneira de viver e conviver na Bahia. A forca vital da sua cultura foi mais forte do que a chibata e a água benta, e o sangue que se adicionou no decorrer do tempo as duas outras matrizes foi fundamental para o singularidade da cultura baiana – a mama áfrica foi mãe da Bahia e a mama Bahia, mãe de todos. Ser negro e ser baiano e vice versa, pois baiano não e apenas nascer na Bahia, e sim, um estado de espírito, uma filosofia, logo ser negro também, e brancos podem ser negros, e índios ser negros. Os negros podem ser tudo na concepção de vida baiana: ser historia, símbolos e lendas, som, musica e dança; e podem ser opera – opera negra ... e alafia!!!

Por isso, salve todos os índios, brancos, negros e mestiços que ilustraram a historia da Bahia. Salve os baianos legítimos ou aqueles que carregam a Bahia na alma, que elevaram a cultura negra – a cultura brasileira – para âmago das futuras gerações.

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