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Segunda, 01 Janeiro 2007 11:55

2007 - A Águia Radiante com o Pioneiro das Comunicações – João Jorge Saad – 70 Anos de Conquistas e Realizações

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Carnavalesco: André Machado

A imigração Síria para as Américas teve e continua tendo um caráter individual. Para o Brasil, ela começou em 1860, em pequena escala, e só aumentou depois da visita do Imperador do Brasil à Terra Santa e do convite que ele fez aos árabes para emigrarem para este país. A porta de entrada foi o Porto de Santos, partindo para o interior e maciçamente para São Paulo onde predominaram a região da Rua 25 de Março trabalhando como mascates, progredindo e abrindo lojas de grande porte e pequenas industrias, mas tudo com muito sacrifício. Aqui foram constituídas famílias que fazem parte da história da própria cidade, influenciando no comércio e principalmente na cultura.

Em Monte Azul no interior de São Paulo, dia 22 de julho de 1919 nascia numa terça-feira João Jorge Saad, “Seo João”. Era assim que o fundador do Grupo Bandeirantes de Comunicação era carinhosamente tratado por todos. Descendente de imigrantes sírios, era apaixonado pelo Brasil, que percorreu de norte a sul quando ainda era caixeiro viajante. Um herdeiro da cultura Síria por parte de pai – já que sua mãe Raquel Amate Saad era brasileira – e que veio ainda pequeno para a capital paulista para estudar. Tradicionalmente começou a trabalhar com o pai Jorge João Saad em uma loja de atacado (Comércio de Tecidos) na esquina Rua 25 de Março com a Ladeira Porto Geral, onde aprendeu de forma natural a negociar, se relacionar e, com intuição, a compreender os anseios e necessidade de cada cliente, tornando-se mais tarde representante da loja.

O tempo passou e no inverno de 1947 casou-se com Maria Helena de Barros, filha do então Governador Adhemar de Barros e com ela teve os filhos: Maria Leonor, João Carlos, Ricardo, Marisa e Márcia. Em 1948 assume a Rádio Bandeirantes que era de propriedade do sogro até então. O mergulho no mundo da Comunicação ocorreu por acaso, em 1937, para ajudar o sogro Adhemar de Barros na administração da Rádio Bandeirantes. Na década de 40 assume o controle da Rádio, e foi aí que descobriu sua vocação maior, inovando, investindo e prestando serviço à comunidade. Inicia-se aqui uma história de muito sucesso no ramo das comunicações. Quando lhe perguntavam como, sem ser do ramo, havia criado uma rede tão grande e avançada, João Saad respondia: “Ela estava lá, escondida. Não fiz nada demais. Apenas fui eliminando as arestas, o supérfluo e ela foi aflorando, aparecendo. Somos uma empresa totalmente brasileira consciente da responsabilidade social e política que temos, preocupada em cumprir o compromisso de defender a livre iniciativa e as instituições, de promover o desenvolvimento econômico, de defender intransigentemente a democracia, de incentivar a educação, com suficiente coragem para atacar os que ousam ofender os interesses da coletividade”.

A carreira empresarial de João Saad, no entanto, não ficou limitada ao ramo das comunicações. A cidade de São Paulo crescia e novos bairros começavam a surgir. Atento ao mercado imobiliário, ele começou a incorporar grandes áreas de terrenos. Nasceram assim, entre outros, os bairros Cidade Adhemar e Jardim Leonor, uma homenagem aos pais de sua mulher.

Comércio, comunicações, investimentos nos setores imobiliário e agropecuário resultaram numa profunda ligação de João Saad com São Paulo. Apaixonado pela cidade, tornou-se cidadão paulistano e aceitou o desafio de presidir a Companhia Municipal de Transportes Urbanos, a CMTC. Reformulou o transporte da cidade, recuperou ônibus, criou linhas e reduziu o tempo dos percursos.

A “Sociedade Bandeirante de rádio-difusão (PRH-9) nasceu no dia 6 de maio de 1937 numa quinta feira, sob o entusiasmo de José Nicolini que tinha o sonho de “lançar aos ares de Piratininga as ondas sonoras de programas finamente escolhidos”, a inauguração ocorreu na Rua São Bento - 365, onde 180 convidados da mais fina flor da elite paulistana se prorrompem em aplausos no instante que se abriram as cortinas do vistoso palco ornamentado para a inauguração. Toda pompa da programação de certa forma erudita de inicio foi substituída por uma mais popular. E nessa onda o jornalista Vicente Leporace em 1943 dá o nome a um conjunto vocal nascido na Mooca, símbolo da cidade – Os Demônios da Garoa.

Na metade dos anos quarenta a Rádio passou a fazer parte das Emissoras Unidas do Dr. Paulo Machado de Carvalho que a vendeu ao governador Adhemar de Barros e este mais tarde a transferiu para o genro. Da Rua São Bento, a emissora foi transferida em seguida para a Rua Libero Badaró, e depois, para a Rua Paula Souza, onde permaneceu até 1965.

Nesta época foram feitos muitos investimentos em equipamentos modernos, novos profissionais foram contratados. Em 1955, lançou o modelo de radiojornalismo ao vivo durante 24 horas, e logo após, apostou em esportes para diferenciar a rádio das demais. A escolha realmente fez a diferença, e com a transmissão em 1958 da Copa do Mundo da Suécia, com som potente, mais forte do que suas concorrentes, com a equipe esportiva que tinha Pedro Luiz, Edson Leite e Mário Morais, a rádio alcançou a audiência de 90% dos aparelhos ligados, marca jamais atingida por qualquer outra emissora. Era o sucesso da Cadeia Verde-Amarela Norte-Sul do (rede que retransmitia as Jornadas Esportivas).

A década de 60 é dominada pelas informações que chegavam pelo rádio. E o jornalismo teve seu maior representante sob a égide dos “Titulares da noticia”, equipe chefia da por Alexandre Kadunc, que inovou com o “Primeira Hora”, jornal-falado e transmitido simultaneamente para o Rio de Janeiro e São Paulo. Na área artística sob a direção de Clodoaldo José Machado os programas que se destacaram foram: “Telefone Pedindo Bis”, “Vitrola Mágica”, “Mil Discos é Limite”, “Os Brotos Comandam”, “Qual é a Musica” e o “Programa Moraes Sarmento” do radialista campineiro Rubens Moraes Sarmento que presidia a Liga das Escolas de Samba, quando o Prefeito José Vicente Faria Lima oficializou o carnaval de São Paulo em 1967. Além do programa com seu nome, que era apresentado à noite e dava eco na cidade, Sarmento durante muitos anos apresentou ao meio dia o “ALMOÇO À BRASILEIRA”, sempre radical defensor da música brasileira. Nesta época, a Rádio Bandeirantes iniciou as transmissões ai vivo dos Desfiles de Carnaval das Escolas de Samba de São Paulo.

Em 1963 – o programa de rádio “O TRABUCO” – com Vicente Leporace, era um dos sucessos da emissora, campeão de audiência das 8 horas da manhã durante 15 anos até 1978, quando do falecimento do grande jornalista. O programa foi substituído pelo atual, Jornal da Bandeirantes Gente, com Salomão Esper e José Paulo de Andrade, entrou no ar em 18 de abril de 1978, seguindo até hoje com grande audiência. Nos esporte surge Fiori Gigliotti, o “locutor da torcida brasileira”. A renovação do esporte tem o programa o “Scratch do Rádio”, equipe esportiva que tinha nomes como Flávio Araújo, Mauro Pinheiro, Ennio Rodrigues, Luiz Aguiar, Ethel Rodrigues, Luiz Augusto Maltoni, Roberto Silva, o repórter “Olho Vivo”, Alexandre Santos (voz marcante no Plantão Esportivo). Programas esportivos da época: “Bola ao Ar”, “Bandeirantes nos Esportes” e “A Marcha do Esporte”.

A Rádio era um grande sucesso em todos os seguimentos, atingia diferentes camadas da sociedade e o jornalismo era seu forte, tanto que não demorou em se firmar como uma das principais emissoras do país, Estava então, convencido de que a informação seria o mais importante vetor do futuro. Como resultado do projeto de expansão de João Jorge Saad na área de comunicação no final dos anos 60 veio a TV que seguiu a mesma linha da Rádio, destacando-se também pelo jornalismo.

Desde de 1954, Saad sonhava em criar uma emissora de TV, pois instintivamente profetizava que o veículo que chegava ao Brasil em 1950, se tornaria mais tarde essencial à sociedade. Então, foram feitas inúmeras viagens ao exterior para pesquisar o que tinha de mais moderno nos Estados Unidos e Europa. E 1961 foram iniciadas as obras do Edifício Radiantes no Morumbi – Um prédio construído para abrigar a mais moderna televisão da América Latina.

Em 13 de Maio de 1967 o sonho se tornava realidade, o canal 13 entrava no ar. Um discurso de João Saad, seguido de show dos cantores Agostinho dos Santos e Claudia, abriram as transmissões. Na solenidade estavam o presidente Costa e Silva, o governador de São Paulo Abreu Sodré, o prefeito Faria Lima, ministros e secretários de estados e a nata da sociedade paulistana. Em frente à emissora foi montado um parque infantil e um circo gratuito para famílias de menor poder aquisitivo.

Com as mesmas características da Rádio traçou-se o perfil da emissora de TV que tinha que ser a melhor, mas não tão clássica, pois o povo pedia algo mais simples. O canal entrou no ar sem intervalos, e a separação das atrações se deu com a exibição do “Coelho Bandeirante”, uma espécie de mascote da nova emissora. Na segunda-feira posterior à inauguração entrava no ar “Os Miseráveis”, uma novela de Walter Negrão e Chico Assis baseada no homônimo de Victor Hugo. Dirigida por Walter Avancini, a trama inovou ao exibir capítulos diários de 45 minutos de duração. A vocação jornalística no canal se deu de imediato, com a estréia em 1969 do filhote do “Titulares da Notícia”, programa que herdou o nome do mesmo que fazia sucesso na Rádio. Apresentado por jornalistas de peso como Maurício Loureiro Gama (primeiro apresentador de telejornal da América Latina), Vicente Leporace, Salomão Esper, Murilo Antunes Alves, Julio Lerner, Lourdes Rocha e depois José Carlos de Andrade. Mas não foi só a área jornalística que marcou a primeira fase da TV Bandeirantes, outros seguimentos tiveram destaque: “Ari Toledo Show”; “Leporace Show”, com Vicente Leporace; “Claudia Querida”, com a cantora; “I Love Lúcio”, espetáculo de música e humor comandado por Lúcio Mauro e Arlete Salles; e “Além, Muito Além do Além”, teatro de terror com o Zé do Caixão.

Após dois anos de existência da emissora acontece o inesperado, um incêndio de grandes proporções atinge na manhã do dia 16 de julho de 1969 – exatamente no dia em que o homem chegava a lua – o moderno edifício no Morumbi e o reduz a uma montanha de cinzas. Foram perdidos 30% do arquivo de filmes e capítulos inéditos da novela “O Bolha”.

Entretanto, João Saad não baixou a cabeça e no pátio em meio a fumaça e gente chorando demonstrou sua força, sentindo-se desafiado pelo destino: “Vamos reconstruir tudo, nossa fé é inabalável. Com base apenas no conceito e no crédito, que formam o patrimônio que o fogo não destrói, recomeçamos. Renascemos das cinzas”. E a TV mesmo operando de forma reduzida renasceu mais forte do que nunca ao adquirir aparelho de ultima geração, saindo na frente inclusive, até no domínio das cores.

Em 1972, 12ª Festa da Uva, em Caxias do Sul, se tornou um marco na história da televisão brasileira sendo feito o primeiro teste oficial da transmissão em cores, via Embratel, para todo o país. Televisores em cores eram sintonizados na emissora para desfrute da novidade. E no embalo, escolheu-se outro símbolo que fosse a altura do avanço tecnológico e a figura de um pavão multicolorido passou a ser usado como símbolo pela emissora, que com a inauguração do Teatro Bandeirantes, em São Paulo, também apostava em show e musicais com a nata da MPB, com o slogan a “Imagem Colorida no Ar.”

A TV foi crescendo e João Jorge Saad foi adquirindo novas emissoras em outros estados dando inicio ao seu sistema de Rede, primeiro foi TV Vila Rica de Belo Horizonte e depois TV Guanabara no Rio de Janeiro. Na estréia foi transmitido o especial “Meus Caros Amigos”, de Chico Buarque, e um filme inédito na TV: “Lawrence da Arábia”.

Em 1980, já eram 24 emissoras espalhadas pelo país. E dois anos depois a primeira empresa comercial nas Américas a operar uma Rede de Televisão por satélite.

Grandes transformações ocorreram entre as décadas de 70 e 80 e nomes importantes faziam parte da grade de programação: Alberto de Nóbrega, Hebe Camargo, Chacrinha, Bolinha, Flavio Cavalcante, Jota Silvestre e Moacir Franco. Também exibia programas infantis como “TV Tutti Frutti”, “TV Criança”, “Fofão” e “ZYB-Bom”. No Jornalismo, o “Canal Livre”, ousou abrindo espaços para artistas, políticos e escritores numa época em que a palavra liberdade não era usada na sua plenitude. Marilia Gabriela, Fausto Silva, Ronald Golias, Amaury Jr e Silvia Poppovic foram outros artistas que brilharam na programação. Os debates políticos promovidos pela Band nas eleições se transformaram numa tradição que completa agora 22 anos. Pioneira, a emissora saiu na frente na realização dos encontros, que mostram ao eleitor os candidatos sem “maquiagem” e por isso mesmo, muitas vezes definem a disputa, o slogan da emissora: “Estamos escrevendo a história contemporânea do Brasil”.

A tradição jornalística da Band está calcada na credibilidade e independência, dois pilares dos quais não abre mão. Ao longo de sua história, há vários episódios que comprovam essa postura. Em 84, a Band mostrava os comícios das Diretas-já, quando isso significava ameaça de corte de sinal e cassação de concessão. Em 92, foi a única Rede que entrou desde o começo na CPI do caso Collor, quando isso significava ficar de fora das campanhas publicitárias do Governo Federal. A partir de 1983, a emissora começou a investir pesado no ramo do esporte, com a estréia do “Show do Esporte”, e esta tradição veio mesmo de 1970, quando a emissora participou da transmissão da Copa do Mundo se consolidando neste seguimento.

Em 1996, inaugura a Torre de Transmissão, com 212 metros construídos em ferro e aço, a maior da América Latina. Situada na rua Minas Gerais, região da avenida Paulista, centro financeiro de São Paulo, a torre entrou em operação, concretizando mais um sonho de João Jorge Saad. “Estamos entregando um monumento à cidade”, comemorou o fundador do Grupo Bandeirantes na cerimônia de inauguração. E ele não exagerou: instalada no ponto mais alto da capital, a bela torre passou a fazer parte da paisagem da metrópole e retribui o privilégio de compor a cena paulistana: dois elevadores panorâmicos propiciam ao visitante uma das mais belas vistas da cidade.

A emissora, que nos últimos anos mudou seu foco para conquistar nova parcela de telespectadores, principalmente o público feminino, tornou-se mais eclética, mas nem por isso está menos atenta aos grandes eventos esportivos, está apenas popular, como sempre quis João Jorge Saad. Os destaques da programação atual são os apresentadores Gilberto Barros, Datena, Raul Gil, Otávio Mesquita, entre outros, e programas para a família, femininos, jornalísticos, filmes, canais de notícias, rurais, e esportivos. Prazer em Ver televisão.

A Família Saad, mantém o pioneirismo e determinação de seu fundador, à frente da administração da Emissora de Rádio e TV, os herdeiros buscam o fortalecimento do Grupo através do arrojo, da inovação tecnológica, e de uma operação empresarial limpa, transparente, defendendo a livre iniciativa. Esta política de atuação resultou em um conglomerado com duas Redes de Televisão Aberta, três Canais de Televisão por Assinatura, Seis Redes de Rádios – formando assim o maior grupo de rádios do país, Um Jornal de Classificados, Uma Distribuidora de Sinal e Conteúdo a Cabo, Um Selo Musical, e a Maior Plataforma de Interatividade do País.

Influenciando o Futuro das Comunicações, e honrando a tradição de sua trajetória, O Grupo Bandeirantes é um dos precursores na Pesquisa sobre a Televisão Digital, que será a próxima revolução nos meios de comunicação. Além disso, são os maiores defensores da produção de programação e conteúdos 100% brasileiros na televisão aberta e fechada do país.

O grupo Bandeirantes, que começou com a Rádio, completa em 2007, setenta anos de história, história esta que se confunde com a de São Paulo, pois sempre foi os olhos desta, e alinhada com seus objetivos de veículo de comunicação sério e comprometido com a verdade, sempre perseverou pela luta, superação, verdade e idoneidade dos fatos. Grande parte desse legado se deve ao homem que viveu desta forma e que ensinou a todos que os cercaram a serem “Radiantes” como ele sempre foi!

Ao deparamos com uma história tão significativa para o ramo da comunicação e sendo a Escola Samba também um meio de difusão, fica evidente o caráter oportuno desta homenagem.

A Águia Azul e Branca, se sente Honrada e Radiante, com essa homenagem ao Pioneiro das Comunicações – João Jorge Saad – 70 Anos de Conquistas e Realizações!!!!

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